quarta-feira, junho 01, 2005

Quinta dos Quatro Ventos 2001 (T)

Foi no Chafariz do Vinho, à Praça da Alegria, que encontrámos o Quinta dos Quatro Ventos 2001. Não provámos o Reserva pois os prémios e o dedo de Michael Rolland elevaram o preço do néctar. O vinho foi servido a uma óptima temperatura e os copos – apesar de não serem de cristal – tinham as dimensões adequadas. É sempre bom saber que existem casas que continuam a servir bem, ainda que não sirvam como nos primeiros anos de vida.
Mas vamos ao vinho: coloração fantástica, escura mas não impenetrável e um nariz simplesmente fantástico apenas ofuscado, aqui e ali, por um excesso de aroma a baunilha. Já na boca muita especiaria, alguns frutos maduros descobrindo-se (mas a custo) a Tinta Roriz. Contudo, tudo isto apenas num primeiro momento. Depois, o vinho tende a desaparecer. É como se Michael Rolland e as Caves Aliança apenas se tivessem preocupado com a prova. Falta um final adequado a tanto nariz e à qualidade da uva. Superficial, embora sedutor, é a melhor maneira de transmitir a sensação geral. Preço a rondar os € 25 (em estabelecimento comercial).

Vinha da Nora Reserva 1998 (T)

Lembro-me bem de como a garrafa me chegou às mãos faz já alguns anos. Nessa altura o VdN era uma novidade tanto de José Bento como da Estremadura; aliás um varietal de Syrah também não era coisa que se visse muito nessa altura.
A garrafa, guardada com lembrança, abriu-se ontem por ocasião feliz. Bebeu-se assim um vinho que não escondeu a passagem do tempo tanto para o bom (redondo e repleto de sabores curiosos graças à evolução em garrafa) como para o menos bom (na cor e volume). Mas não se pense que este 1998 (o primeiro VdN se bem em lembro) não é um belo vinho, muito pelo contrário: framboesa madura, bastante tabaco e alguma azeitona e chocolate no fim, tudo em harmonia... até a madeira de carvalho francês onde dormiu 15 meses. Muito elegante em suma. Grande final.
Segundo me dizem os VdN que se seguiram a este de 1998 têm um estilo um pouco diferente (certamente ofuscados pelos "Quinta do Monte d'Oiro") o que, a julgar pelo que ontem se bebeu, é pena. Que eu saiba em 1998 do "Monte d'Oiro" só saiu este VdN o que diz bem da qualidade da uva nele utilizada. O preço ronda os 12€ para o 2001; para o 1998 é bem superior se tiver sorte em o encontrar.

Vila Santa 2003 (T)

Trata-se talvez do melhor "Vila Santa" que provei. Quente, muito complexo, com o Alicante Bouschet estranhamente a sobresair. Estávamos perante um vinho mais interessante - mas também menos sofisticado - do que o Aragonês do mesmo Autor (ver infra) provado há uma semana. Alguma rusticidade e taninhos evidentes. Fruta muito madura (talvez demais), e alguma madeira no final. Um óptimo vinho com as melhores qualidades do nosso Alentejo...
Preço agradável se abaixo dos 15€.

terça-feira, maio 31, 2005

Aragonês 2003 João Portugal Ramos (T)

O imediato sabor da uva - por ser a mesma - lembra-nos as provas de alguns "tempranillo" em Espanha neste Inverno (recordamos alguns vinhos mesmo de zonas que não são facilmente confundíveis com o Alentejo). Cor algo deslavada, mas em todo o caso bonita. Algum corpo (mas bem diferente do que o "Vila Santa" referido no post supra, o que se justifica provavelmente por um menor estágio), não avassalador. Menos fruta silvestre e mais ameixa. Alguma compota quando bebido a acompanhar doce. Final forte e personalizado. Preço agradável abaixo dos 15€.
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sábado, maio 28, 2005

Aneto 2002 (T)

Este vinho é uma estreia e para estreia está muito bom. Provámos no Chafariz do Vinho acompanhado das típicas tâmaras com bacon. O nome do vinho, curioso, resulta de uma planta aromática abundante em zonas baixas do Douro.
Ainda que de um ano difícil, tem bom corpo e boa cor mas o nariz começa por desapontar. De resto muito bom, fantástica complexidade em harmonia. Álcool presente mas não em excesso, o mesmo se diga para a madeira.

Três Bagos Sauvignon Blanc 2003 (B)

Provado na Fortaleza do Guincho com copos próprios e a uma temperatura adequada (fresco mas não gelado). Estupendo Sauvignon Blanc, cor límpida (pelo batonage ?), e algum sabor a maracujá. De resto, notas vegetais, presença de álcool e muita madeira justificada pelo estágio em barrica. Um vinho fantástico que se afasta dos vinhos extra-frescos de Verão e que por isso poderá não ter muitos adeptos. Mas prová-lo com vieiras é uma obrigação. Preço recomendado aprox. 10 €.