quinta-feira, setembro 25, 2008

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Sugestões: 1 branco e 1 tinto

Não são propriamente novidades, nem sequer "vinhos de combate" (i.e., abaixo dos €3), mas sabem bem e têm preço justo. Mais coisas em comum? São durienses de gema, e ambos são apelidados por "Encosta(s)". O branco é jovem, vibrante e de firme frescura (é apenas ligeiramente curto para o nosso palato). Uma nota? 15 valores. O tinto é todo ele fruta preta, sensual, corpo redondo e taninos macios; em suma, bom vinho pronto a beber e não para guarda, a valer 15,5 de pontuação.

O branco, é o Encostas de Provezende (B) 2007. O tinto, o Encosta Longa Reserva (T) 2004. O branco, custará menos de €5. O tinto menos de €12. Pode ser que apareçam pelas feiras de vinhos que estão quase a começar...
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segunda-feira, setembro 22, 2008


Cabriz Encruzado (B) 2007

Seremos, uma vez mais, redundantes, nem que seja por coerência ou sanidade de espírito: enfim, mais um óptimo branco da colheita de 2007, ainda por cima a um bom preço! Mas desta feita seremos breves...

Neste vinho, o pior parece ser encontrá-lo. De resto, e em (curta) síntese, é todo ele mineral. Nervoso, quase crocante, frutos secos, só peca pelo registo algo monótono que a casta neste exemplar parece impor (mas só se nota ao terceiro copo...). Boca ampla, refrescante, acidez em alta mas domada com sabedoria. Intenso, inclusivamente no final de boca. Não há muito a dizer aqui: bom vinho, bom preço, boa compra (e isso reflete-se na pontuação). A menos de € 7.

16,5 - 17

Próximos vinhos: Quinta do Crasto Old Vines Reserva (T) 2006; Crasto (T) 2007; Altas Quintas (T) 2005; Rocim (T) 2005; Olho de Mocho (R) 2007

quinta-feira, setembro 18, 2008

Provas


Valle Pradinhos (B) 2007


Já muito se escreveu sobre o tema. Nós próprios andamos a repetir-nos, mas aqui vai novamente: os brancos da colheita de 2007 têm-se revelado com uma acidez e elegância pouco vista em anos anteriores. Verão fresco e cada vez mais know-how, é que dá! Ora, acidez e elegância é coisa que nunca faltou ao Valle Pradinhos branco, até pela localização das vinhas que o compõe bem lá no alto de uma colina a breves quilómetros de Macedos de Cavaleiros (Trás-os-Montes). E isso explica a nossa tese de que na colheita de 2007 este blend das castas alsacianas Riesling e Gewürztraminer e a portuguesa Malvasia Fina não está tão distante das anteriores colheitas como outros vinhos brancos. Mas isso não o impede de estar, mesmo assim, um furo acima dos anos anteriores, o que, a nosso ver, não era nada fácil sendo, por isso, um feito com muitos méritos.

Muito brilhante na cor, irradia tonalidades citrinas e reflexos palha. O nariz mantém a imagem de marca com muitas sugestões florais (rosas), a lichias, mas também a fruta madura (melão, manga) numa calda simultaneamente exótica e sedutora. Face a anos anteriores, parece manifestar um fundo mais fresco, mais mineral, mas é na boca que a diferença da colheita mais se revela, numa frescura que percorre todo o palato, frescura essa que não o impede de ser corpulento, de se revelar encorpado e sedutor. Ao invés, é o equilíbrio que mais nos agarra e sobretudo o carácter límpido, uma vez mais próximo do mineral, que convive na boca. Novamente fruta madura (pêra), retronasal com ligeiro caroço de fruto, e final de boca saboroso em alta.

É difícil – muito difícil – não gostar deste branco e, assim, não espanta o sucesso no mercado. Tem tudo para muita e boa gente gostar… começa por ser bom (e isso é meio caminho), por ser "descomplicado" e mostrar graduação alcoólica de acordo com alguns gostos modernos (14% vol). Depois, não é caro e (dizem) evolui bem na garrafa. Nem sempre por estas razões, mas sobretudo pela frescura no nariz e limpidez na boca, nós também gostamos deste Valle Pradinhos (B) 2007 e, a título de sugestão, propomos que acompanhe um caril ligeiro e "garlic naan" caseiro.

Disponível nas melhores garrafeiras desde Junho (mas dizem que, por vezes, não é fácil de o encontrar dado o sucesso comercial), a um preço entre € 10 e €12.

16,5 - 17

Próximos vinhos: Quinta de Cabriz Encruzado (B) 2007; Quinta do Crasto Old Vines Reserva (T) 2006; Crasto (T) 2007; Altas Quintas (T) 2005; Rocim (T) 2005; Olho de Mocho (R) 2007




segunda-feira, setembro 15, 2008


Crasto (B) 2007

Vem – e provém – de uma casa afamada. De uma casa – quinta, claro seja – que produz um dos ícones do país vinícola, nada menos que um tinto profundo e aveludado resultado do sacrifício da vinha denominada Maria Teresa. Sucede que essa mesma quinta não é apenas a boutique por detrás de grandes vinhos, daqueles vinhos dispendiosos e que nos fazem sonhar. Simultaneamente, ao invés, produz quantidade (em qualidade) e tem na marca Crasto um valor muito seguro... E agora, na colheita de 2007, em versão vinho branco, talvez melhor até do que o tinto, se fosse justo a comparação, coisa que não o é…

O Crasto (B) 2007 vive de uma estrutura forte, é um vinho que não cai em "facilitismo" mas que, ao mesmo tempo (coisa nem sempre fácil de encontrar), é capaz de agradar a qualquer nariz ou palato. Muito bem na prova de nariz, sereno e pouco exuberante de início, boca com fruta saborosa bem citrina e laivos de vegetal (particularmente evidente na sugestão de espargos) e de mineral.

Produzido a partir das castas Gouveio, Roupeiro, Cercial e Rabigato, é um equilíbrio muito consensual entre frescura e estrutura. Sem ser gordo é sério. Sem ser fácil é fresco.

Cuidado com o preço que não sendo caro, anda especulativo em algumas garrafeiras espalhadas pelo país. Recomenda-se muito a sua compra a menos de € 12.

16,5


Próximos vinhos: Valle Pradinhos (B) 2007; Quinta de Cabriz Encruzado (B) 2007; Quinta do Crasto Old Vines Reserva (T) 2006; Crasto (T) 2007; Altas Quintas (T) 2005

quinta-feira, setembro 11, 2008


Feira do Vinho do Dão '08
(e breve reflexão sobre o presente da região)

Foi na passada semana que ocorreu mais um evento vínico, desta feita em Nelas a propósito de mais uma edição - e já é a 17ª - da Feira do Vinho do Dão. Dizem-nos que a feira conta cada vez com mais produtores (e com mais vinhos). Se assim for, o futuro deste evento está assegurado, tanto mais que a organização mostrou-se muito competente.

Os produtores "suspeitos" com bons vinhos são os do costume, mas diga-se, em abono da verdade, que também são cada vez mais os vinhos do Dão com muito valor. Para isso tem contribuído boas colheitas sucessivas - 2003 e 2005 muito boas, 2004 boa -, melhoria nos métodos de produção, e o efeito sempre positivo da concorrência de novos e dinâmicos produtores.

Acresce que, a par dos excelentes lotes tintos (a tradição da região, como aliás da generalidade do país, é de vinhos tintos loteados de várias castas), cada vez melhores monocastas são lançadas no mercado: é ver os encruzados, as tourigas e os alfrocheiros a pulularem nas estantes das garrafeiras e dos hipermercados.

Depois, a região já conta com a presença de casas com prestígio e alguma tradição, daquelas que produzem, por regra, bons vinhos independentemente da colheita. Sucede, ainda, que algumas dessas casas (eg., Global Wines e Sogrape) são autênticos gigantes o que também fortalece a região, nomeadamente a nível de dimensão. Por fim, surge o turismo que pretende emergir na região à semelhança do que hoje já vem acontecendo sobretudo no Douro, mas também no Ribatejo e no Alentejo, tendo sido apresentado o projecto do Museu do Vinho do Dão que ficará sito na bonita vila de Santar. Tudo boas notícias!

O interesse numa Feira do Vinho do Dão é, portanto, muito e multifacetado: se, por um lado, temos interesse em provar os novos vinhos das "casas clássicas", por outro lado é impossível resistir a degustar as novidades provenientes de projectos mais recentes. Quantos aos referidos suspeitos do costume, destaque nosso para os tintos da Quinta do Perdigão, todos eles equilibrados como é apanágio da casa (realce para o rosé '07 e o apelativo touriga nacional '05). Depois, não podíamos evitar em referir a Quinta dos Roques que mais uma vez produziu um excepcional encruzado na colheita de 2007 (talvez o melhor de sempre da casa) e tem no Garrafeira '03 um tinto em óptima fase de evolução (quando ao afamado Flor das Maias, gostámos dele mas pensamos que é preciso esperar para ter uma melhor ideia do seu potencial). Também muito bons os vinhos dos produtores Casa do Cello/Quinta da Vegia (mantém-se em forma os reservas '03 e '05), Quinta das Marias, este com um touriga '06 já em boa forma mas a pedir estágio em garrafa, e Vinha Paz com um excelente reserva '03 (aliás, os grandes tintos de 2003 do Dão parecem estar todos já em óptima fase para consumo, mas podem evoluir).

Nas "revelações", ainda que não sejam produtores propriamente novatos, destaque para Quinta do Margarido com mais um belo encruzados '06 (aguarda-se com expectativa o '07) e um curioso espumante 100% touriga, e para a Quinta da Fata com um touriga nacional '06 mais "sobremaduro" que o '05, mas também mais apelativo. Também interessante a Quinta Mendes Pereira que apresenta já uma gama interessante e vasta de vinhos tintos e brancos.

Para o ano, nova edição...
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domingo, setembro 07, 2008


Douro Boys Masterclass '08


Numa combinação feliz de requinte e boa disposição decorreu, no passado dia 3 de Setembro, a prova Masterclass dos Douro Boys nesta edição de 2008. A par da inauguração oficial da Quinta de Nápoles (Niepoort), estava em causa provar as novidades/lançamentos dos mais recentes vinhos dos "cinco fabulosos do Douro", o mesmo é dizer os tintos da colheita de 2006 e os brancos de 2007 dos produtores Quinta do Vallado, Niepoort, Quinta Vale D. Maria, Quinta do Crasto, e Quinta do Vale Meão. Mais do que um relato "vinho-a-vinho", importa a apreciação geral, e esta foi a de que os tintos portaram-se melhor do que se vulgarmente se diz da colheita de 2006 (o que não é de espantar dada a reconhecida qualidade dos produtores), mostrando, no geral, fruta madura, taninos robustos e um ligeiro perfil rústico. Já os brancos de 2007, esses estão como se vai divulgando, ou seja, estão muito bons, com enorme frecura e acidez, alguns deles mesmo sublimes!

Em todo caso, existe sempre lugar para alguns destaques e, nos tintos, brilharam os taninos duros mas saborosos do Quinta do Vallado Reserva, a finesse de mais uma colheita do Charme (apesar do Redoma e do Vertente não chegarem, a nosso ver, ao brilho de colheitas anteriores), mas também a sedução dos Quinta do Crasto Touriga Nacional e sobretudo do Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa (este, sem dúvida, um dos melhores de toda a prova) bem como o cosmopolitismo do CV (bem mais fresco e complexo que o Quinta Vale D. Maria e longe de uma estranha acidez revelada pelo VZ). Quanto ao Meandro, mostrou garra, fruto saboroso; já o irmão mais velho, o Quinta do Vale Meão, apesar de ainda circunspecto, vai-se mostrando potente, com um final luxuoso, e tudo indica que será (uma vez mais) um grande vinho.

Destaque, nos brancos, para a evolução muito positiva dos Quinta do Vallado (o ano ajudou é verdade, mas parecem-nos mais bem feitos, com uma frescura irrepreensível e boa relação preço-qualidade). Muito bem também a estreia da Quinta do Castro (mas guardamos uma apreciação mais completa do Castro branco para um post a ele dedicado), um pouco mais complicado o VZ da Quinta Vale. D. Maria que nos parece, à semelhança do tinto, com um perfil demasiado ácido e nervoso (mas pode ser do engarrafamento precoce). Finalmente, os brancos da Niepoort são um caso à parte: o melhor Tiara de sempre e o melhor Redoma Reserva de sempre... este está mesmo um vinho verdadeiramente enorme!

Em suma, uma eficiente organização, uma bonita adega, belíssimos vinhos, e uma festa inesquecível que terminou pela noite dentro apesar da chuva teimosa.
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sábado, agosto 30, 2008



Altas Quintas Crescendo (B) 2007 Altas Quintas Crescendo (R) 2007

Mais dois "Crescendo" deste projecto sito no Parque da Serra de São Mamede, desta feita o rosé e o branco, ambos da colheita de 2007.
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O rosé, 100% aragonês, mostra-se vestido de um rosa "choc" fechado, com tonalidades violetas e arroxeadas. Nariz que começa com referências curiosas a espuma de café expresso que depressa se dissipam com o aproximar da fruta fresca, morango, framboesas, tudo fruta vermelha pouco madura. Boca ampla, de fácil ataque, com fruta gulosa e saborosa. Não sendo cansativo é, contudo, algo pesado. Poderá ser um rosé friendly para acompanhar pratos mais complexos ou servidos em dias quentes, bem como para aqueles consumidores que acham que todos os rosés têm pouca estrutura na boca. Este está feito com "peso e medida" e revela-se muito amigo da mesa. 15,5

O branco mostrou-se fresco também, mas esperávamos mais. Admitimos: pensávamos que a altitude podia ter dado mais a este branco... O lote é de verdelho, arinto e fernão Pires e, a par de nuances vegetais e uma fruta tímida, falta-lhe acidez. O problema pode ser nosso, pois ainda não conseguimos "dar vivas" a vinhos nos quais estivesse presente uma dose significativa de fernão pires. Na boca mantém o perfil vegetal, mas a falta de acidez não é tão evidente. Ao invés, revela volume e persistência, bem como um final de boca com significativa complexidade e prolongamento. Não deixa de ser uma boa escolha, mas talvez seja de consumir lá mais para o Outono ou mesmo durante o Inverno.
15
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Próximos vinhos: Crasto (B) 2007; Valle Pradinhos (B) 2007; Quinta de Cabriz Encruzado (B) 2007; Quinta do Crasto Old Vines Reserva (T) 2006; Crasto (T) 2007; Altas Quintas (T) 2005

quarta-feira, agosto 27, 2008


Altas Quintas Crescendo (T) 2005

Produzido a partir das castas aragonês e trincadeira, com estagio de 12 meses em barricas de carvalho francês e americano, este é a entrada de gama nos tintos do projecto Altas Quintas, néctares que provém de vinhas plantada a cerca de 600 metros em plena Serra de S. Mamede (Alto Alentejo). Sem dúvida: projecto ambicioso, de marketing competente e aguerrido (mesmo junto da restauração); em suma, não existe enófilo que não conheça, ou que não vá conhecendo...

Cor granada, pouco escura. Nariz com um primeiro impacto a madeira, não na versão doce (baunilha, caramelos) mas na versão austera (apara de lápis) com notas ainda a cravinho e canela (muita especiaria presente). Depois vem uma fruta tímida no início, madura (mas não sobremadura) e saborosa, à qual só falta intensidade. Mas parece que é feitio... não é defeito.

A boca mantém um perfil pouco exuberante, mas muito recompensador no que concerne a complexidade e frescura. Um vinho que não cansa e com clara propensão gastronómica. Se a fruta está madura no nariz, na boca é a frescura que mais brilha. Final de boca apimentado que lhe dá uma graça adicional!

Com 14% vol., é um tinto que procura um consumidor experiente que privilegia a complexidade à exuberância banal. A menos de €9 não é propriamente barato mas quem gostar do estilo (nós gostamos) não se vai arrepender.


15,5


Próximos vinhos: Altas Quintas Crescendo (B) 2007; Altas Quintas Crescendo (R) 2007; Crasto (B) 2007; Valle Pradinhos (B) 2007

terça-feira, agosto 19, 2008


Três anos depois... (ou «tintos e brancos mais frescos»)


Já lá vão praticamente três anos e meio de Saca-a-Rolha. Não será, certamente, tempo suficiente para fazer uma resenha (muito menos histórica) sobre a evolução dos vinhos nacionais, mas servirá, a nosso ver, para constatar duas tendências que consideramos muito positivas no mercado doméstico. Em bom rigor, trata-se apenas de uma única tendência (admitimos nós) mas com duas manifestações...

A primeira delas relaciona-se com a produção de vinhos tintos mais frescos e gastronómicos em claro contraponto com a tentativa de seguir o modelo dos tintos do "novo mundo", bem visível nas colheitas compreendidas entre 1997 e 2003. De facto, sobretudo desde a colheita 2004 - já de si uma colheita ideal para vinhos com boa evolução -, surgiriam cada vez mais tintos com um perfil acentuadamente sério, constituindo disso bons exemplos, entre vários outros, o transmontano Vale Pradinhos Reserva (T) 2004 (a menos de €20), os durienses Quinta da Sequeira Grande Escolha (a menos de €25) e o Pinote (T) 2005 (a menos de €12), bem como vários tintos alentejanos como os que resultam do projecto Altas Quintas (com preços entre os €9 e os €30), mas também o Roma Pereira (T) 2005 e claro o super-taninoso Grou (T) 2005 (ambos a menos de €20). No Dão nem se fala tantos que são os tintos nesse registo fresco e gastronómico, apesar dos alegados abusos no uso da touriga nacional... quedamo-nos, quanto a exemplos, pelo Quinta da Vegia Reserva (T) 2005 (a menos de €25) e pelas monocastas tourigas da mesma colheita provenientes quer da Quinta do Perdigão (a menos de €25) quer da Quinta da Fata (a menos de €20).

A segunda manifestação é a busca por brancos também eles cada vez mais frescos, com uma boa acidez e, em alguns casos, secos. Nos brancos, a colheita de 2005 e, sobretudo, a de 2007, possibilitou a produção de vinhos de qualidade muito elevada. A par de diversos verdes (Soalheiro, Muros de Melgaço, Ameal, Lixa, etc), vários são os brancos do Douro e do Dão que, não sendo muito caros, começam a ser um caso sério no que respeita a níveis de frescura, abandonando assim modelos de produção onde a madeira nova se encontrava muito marcada e se pretendia vinhos pesados e exageradamente untuosos. São caso disso, no Douro, os recentes Trilho (B) 2007 (a menos de €15), o Encosta Longa Reserva (B) 2007 (a menos de €10), o perfumado Aneto (B) 2007 (a menos de €15) - para não falar dos Niepoort, com destaque para o delicioso Tiara (B) 2007 (a menos de €15) - e, no Dão, o Quinta do Cabriz Encruzado (B) 2007 (a menos de €10) ou o Quinta dos Roques Encruzado (B) 2007 (a menos de €12). No Alentejo, são igualmente vários os brancos cada vez mais frescos, com destaque evidente para os produzidos a partir da casta antão vaz e, a título individual mas ainda como mero exemplo entre outros, para o Conde de Ervideira Reserva (B) 2007 (abaixo dos €10). Mas, claro, não nos ficamos por estas regiões, nem pela colheita de 2007, bastando para isso fazer notar a excelência do Quinta do Lagar Novo Chardonnay (B) 2006 (a menos de €13), um belíssimo vinho da Estremadura logo num ano particularmente difícil para a produção de brancos frescos e secos.

Com o suposto "aquecimento global do Planeta" (que não se nota nem um pouco neste Verão de 2008, à semelhança do que sucedeu em 2007), são duas óptimas manifestações de uma mesma óptima tendência (repetição à parte); dizemos nós em forma de festejo!
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Ora, foi exactamente num festejo que tirámos a fotografia que se encontra no canto superior direito deste texto. Evidentemente, foi necessária uma considerável dose de acaso e (sobretudo) de sorte para a conseguir (os leitores sabem bem que a fotografia não é o nosso forte...), mas julgamos que fica muito bem a encabeçar esta pequena nota escrita respeitante à passagem de mais de três anos do blog Saca-a-Rolha.
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PS: Quanto aos vinhos da fotografia, o Chryseia (T) 2006 está ainda "fechado", e revela-se por ora um pouco austero; o Quinta do Crasto Maria Teresa (T) 2005 mantém-se simplesmente sublime. Ambos os vinhos são caros e, por isso, recomenda-se que sejam bebidos apenas em cerimónias ou ocasiões muito especiais. Foi o caso!

sábado, agosto 16, 2008



Quinta do Lagar Novo Chardonnay (B) 2006


Sita em Alenquer, a Quinta do Lagar Novo é pertença da família Carvalho: pai Luís Carvalho, coordenador do projecto, e os filhos Tiago Carvalho e João Carvalho, responsáveis pela enologia e viticultura, respectivamente. Provámos, uma vez, o branco Regional Estremadura varietal Chardonnay da colheita de 2006. A de 2007 estará brevemente no mercado.

Cor amarela palha com nuances verdes. Grande complexidade aromática, mas ainda assim directo e muito focado no nariz. Belíssimo aroma: subtil nas componentes vegetais e aberto nos registos mais frutados (eg., pêra). Bela entrada de boca, franca, fresca e muito ampla. Poucos ou mesmo nenhuns "tiques" excessivamente amanteigados ou pesados dos chardonnays mais divulgados pelo nosso país. Em suma: amplitude sem peso; secura no limite máximo (pelo menos para um ano quente como foi o de 2006); e enorme final de boca. Muito bom mesmo!

Sem dúvida, um dos chardonnays produzido em Portugal que mais gostámos faz anos! A nosso ver, está uns pontos acima do irmão viognier, mas haverá sempre quem diga o contrário e, em bom rigor, tudo dependerá do momento de consumo e da combinação gastronómica. Encontramo-nos verdadeiramente "em pulgas" para provar a versão de 2007. A menos de € 13 é um vinho obrigatório nas garrafeiras de todos os enófilos.

17



Próximos vinhos: Altas Quintas Crescendo (T) 2005; Altas Quintas (B) 2007; Altas Quintas Crescendo (R) 2007; Crasto (B) 2007; Valle Pradinhos (B) 2007

quarta-feira, agosto 13, 2008


Pinote (T) 2006

A mesma "troca" de know-how e de uvas entre Bairrada e Douro. Desta feita, é a vez do tinto que é produzido a partir de uvas do Vale Mendiz mas com enologia da Campolargo. Trata-se de um lote de vinhas velhas, com muitas castas diferentes e predomínio para a touriga nacional (cerca de 15%). O vinho vê madeira, mas quase toda com mais de um ano, e isso nota-se, como veremos adiante.

Cor cereja não muito escura, com auréola vermelho claro. No início o vinho abre um aroma simples, directo, a fruta vermelha (morango, framboesa madura), tudo muito fresco. Com a passagem dos minutos, a complexidade adensa-se mas a frescura mantém-se no copo. Uma ligeira sensação a álcool revela que o néctar ainda está pouco à vontade com a garrafa.

Na boca surge a fruta fresca, raínhas-cláudia, fruta vermelha uma vez mais, aqui e ali em camadas de fruto mais maduro. Taninos irrequietos, duros até mas saborosos. Pendor de secura, muita frescura, amêndoa amarga, coco, avelãs e ligeiro cacau amargo no fim de boca (nada de "baunilhas" a lembrar madeira nova). Bom comprimento final.

Um vinho muito diferente do que a moda tem ditado nos últimos anos e, por isso, a descobrir. Frescura e taninos rijos são as principais marcas deste tinto que promete muita longevidade (mínimo 10 anos) e isso reflecte-se no intervalo da pontuação. Óbvio carácter gastronómico para comidas pesadas. Servir a 17º ou 18º. O preço é igual ao do branco, a menos de € 70 a caixa com seis vinhos, três tintos e três brancos (ver post anterior para o Pinote branco).

16,5-17


Próximos vinhos: Quinta do Lagar Novo Chardonnay (B) 2006; Altas Quintas Crescendo (T) 2005; Altas Quintas Crescendo (B) 2007; Crasto (B) 2007

segunda-feira, agosto 11, 2008


Pinote (B) 2007

Apresentado em meados de Junho em Mogofores. É a cara metade de um tinto com o mesmo nome (mas da colheita de 2006), constituindo parte de um projecto muito interessante levado a cabo por Campolargo e GR Consultores (Rui Cunha e Gonçalo Lopes). O mote foi permitir que a GR Consultores trabalhasse um lote de castas brancas provenientes da Bairrada, enquanto Raquel Carvalho, a enóloga da Campolargo, afinava um lote de vinhas velhas do Vale Mendiz (Douro).

Vamos ao branco. Provado uma vez. Apresenta cor palha. Nariz muito floral, complexo, percebendo um lote onde as flores e os frutos tropicais prevalecem sobre a frescura e acidez. Alguma mineralidade, algum doce, ligeira amêndoa-amarga (com nuance de barrica), num todo de carácter vinioso. Melhora na boca, grande ataque inicial, quase crocante, cheio e poderoso. No final, novamente um carácter ligeiramente adocicado que não chega, porém, a destoar.

As notas mais gordas e adocicadas parecem vir da responsabilidade da viognier e de algum arinto (ambas fermentadas em barrica), estando ainda presente a bical e o sauvignon blanc (ambas fermentadas em inox). Há ainda um pouco de verdelho, mas muito escondido.

Bom branco, ao qual falta talvez um pouco de acidez, mas que poderá acompanhar muito bem assados, queijos secos (eg., um plasencia) e massas tais como uns ravioli recheados de tomate (fica a nossa sugestão). Servir bem fresco, abaixo dos 14º. Brevemente à venda, em caixas de 6 - com 3 brancos e outros tantos tintos - a menos de € 70 cada caixa.


16
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Próximos vinhos: Pinote (T) 2005; Quinta do Lagar Novo Chardonnay (B) 2006; Altas Quintas Crescendo (T) 2005; Altas Quintas Crescendo (B) 2007; Crasto (B) 2007

quarta-feira, agosto 06, 2008


Valle Pradinhos (R) 2007

Novíssima edição deste rosé da conhecida casa de Macedos de Cavaleiros (Trás-os-Montes) produzido com base nas castas tinta roriz e touriga nacional. No copo revela uma cor vermelho cereja, muito brilhante. Nada esbatida, nada de cores menos aguerridas por estas bandas - este é mesmo vermelho (longe dos "tons salmonados" de outros rosés), muito bonito por sinal. Nariz muito direccionado para fruta de árvore (cereja) com ligeiro floral. Fruta vermelha fresca, acídula nas referências a morangos pouco maduros (diferentes, portanto, dos clássicos de Sintra, que, como é sabido, são muito doces e pequenos). Boa entrada de boca, ampla e limpa. Novamente directo e saboroso na componente frutada, mas mantém um estilo sóbrio e ligeiramente seco na senda das anteriores colheitas.
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Em suma, alguma sobriedade num rosé de enorme frescura e acidez, excelente para acompanhar refeições de Verão (é pena o álcool com 13,80% vol.). O intervalo na pontuação aproxima-o das melhores pontuações que atribuímos a um rosé, e isso diz muito sobre quanto gostámos dele. A menos de € 7 não é propriamente barato (mas a verdade é que, em rigor, são cada vez mais raros os rosés bons e baratos...).


15-15,5


Próximos vinhos: Pinote (B) 2007; Pinote (T) 2005; Quinta do Lagar Novo Chardonnay (B) 2006; Altas Quintas Crescendo (T) 2005

segunda-feira, agosto 04, 2008


Quinta do Soque Reserva (T) 2005

Provado duas vezes, uma das quais após o rosé da mesma quinta. A partir das castas touriga nacional, touriga franca e tinta roriz, estagiou em barricas de carvalho francês. Todo ele muito internacional: na cor, no nariz e na boca. Cor cereja escura, mas não opaco, com ligeiros sinais de evolução. Nariz muito intenso a fruta madura de boa qualidade e gulosa (eg., ameixa muito madura), num conjunto onde a touriga nacional e a roriz se destacam. Excessivamente directo, por vezes algo plano, mas a boca corresponde, é agradável, arredondada e macia. Taninos discretos, aqui e ali mais marotos (talvez da madeira...). Final comprido, saboroso, com nuances fumadas, muito bem conseguido neste aspecto.
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Um estilo moderno e acessível cada vez mais presente no Douro. E porque não? Apostamos que muita gente gostará. A menos de €20 acompanhará bem uma carne de vaca bem passada, podendo ainda ser bebido a acompanhar uma sobremesa de fruto vermelho pouco doce.

16-16,5
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Próximos vinhos: Valle Pradinhos (R) 2007; Pinote (B) 2007; Pinote (T) 2005.

quinta-feira, julho 31, 2008


Quinta do Soque (R) 2006

Apresentado neste evento como aperitivo. Provado por duas vezes. Pertence à classe de rosés que, felizmente (para nós), se repete com frequência no Douro (e também, mas com menos expressão, no Dão). Isto é, rosés mais fechados, tímidos, pouco conversadores mas recompensadores quando se trata de acompanhar umas sardinhas assadas, uma piza ou uma salada de pimentos.
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No copo revela cor salmão com ligeira evolução (já lá vão quase 2 anos em garrafa...), nariz silvestre com referências não muito intensas a morango maduros e um fundo que aparenta madeira queimada. Fruto vermelho discreto e pouco expressivo numa boca de pendor claramente vegetal, mesmo algo terrosa. Travo amargo no fim de boca que tende a aumentar com temperatura mais alta. Final contido que, contudo, agrada por mostrar alguma secura.

Terminamos como começámos - apreciamos este "estilo sério" nos rosés. Este Quinta do Soque estará, porventura, demasiado sério, o que poderá ser explicado por não ter sido provado no ano de colheita. Em todo o caso, é uma aposta válida, não tanto para aperitivo, mas antes para acompanhar comida e não nos referimos apenas à tradicional ligação com a gastronomia exótica/oriental.


14,5


Próximos vinhos: Quinta do Soque Reserva (T) 2005; Valle Pradinhos (R) 2007; Pinote (B) 2007; Pinote (T) 2005.

domingo, julho 27, 2008


Brites Aguiar (T) 2006

Apresentação à imprensa realizada no restaurante Gemelli. Provado por duas vezes. Este tinto, produzido a partir de vinhas sitas nas encostas do Rio Torto e de um dos seus afluentes, a Ribeira de Galegos, combina touriga nacional, touriga franca e tinta roriz. Depois, estagiou por 18 meses em barricas Allier tosta média com 500 litros de capacidade, integralmente novas (três anos de secagem das tanoarias Cadus, Seguin Moreau e François Freres).

A cor é intensa, num registo de cereja muito escuro mas não opaco. Nariz de alta concentração, com fruta azul e preta muito madura. Carácter lácteo evidente e muito arredondado (o grau de álcool ajuda), com caramelo, doce de leite, e chocolate de leite. Com arejamento surge um lado floral que deveria estar (a nosso ver) mais presente. Na boca, altera ligeiramente o perfil internacional e situa-se num patamar mais fresco, algo mineral, mas mantém-se amplo, lácteo e muito directo, apelativo. Com taninos suaves e muito maduros é de fácil agrado este tinto! O seu volume alcoólico (15%) é escondido por alguma frescura, a barrica caminha para uma boa integração, e só o final podia dar um pouco mais (mas é certo que o ano não ajudou nesse aspecto).

Deste tinto encheram-se 6840 garrafas de 750ml e 200 garrafas magnum. Entre €25-€30, é uma escolha acertada - mas não barata - para quem gosta de um perfil directo, focado na fruta madura, internacional.

16,5


Próximos vinhos: Quinta do Soque (R) 2006; Quinta do Soque Reserva (T) 2005; Valle Pradinhos (R) 2007; Pinote (B) 2007; Pinote (T) 2005

terça-feira, julho 22, 2008


Stanley Chardonnay (B) 2006

Vinho produzido pela Fundação Stanley Ho, liderada pelo conhecido empresário do mundo dos casinos e que era, até há pouco, o 84º homem mais rico do Planeta de acordo com a Forbes. Quanto ao vinho, tem uma cor clara e trata-se de um chardonnay pouco típico, quase "ilegítimo" se pensarmos nas principais referências francesas. Desregramento de notas tropicais no nariz num aroma muito carregado e pesado, mesmo para o padrão português da casta. Na boca, revela uma entrada que praticamente passa despercebida, mas arranca depois um travo final de mel demasiado evidente e que chega a incomodar, num conjunto que aparenta excesso de doçura. Nem a proximidade do mar - provém de uma vinha sita nas Azenhas do Mar (Sintra) - lhe confere a acidez que dele esperávamos.

Decididamente (para nós), o estilo menos interessante no chardonnay, mas, ainda assim, um esforço evidente num dos locais do País mais inóspitos e esquecidos para a produção de vinhos. Desconhece-se o preço e aconselha-se servir muito fresco. Poderá acompanhar alguns pratos de comida exótica de origem indiana, chinesa ou tailandesa.

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Próximos vinhos: Brites Aguiar (T) 2006; Quinta do Soque (R) 2006; Quinta do Soque Reserva (T) 2005; Valle Pradinhos (R) 2007

domingo, julho 20, 2008


Quinta do Ameal Loureiro (B) 2006

Quase transparente quando colocado no copo (comecei por escrever "branco", mas claro que branco só o leite). A casta, normalmente muito exuberante, apenas se revela aguerrida no nariz. Na boca, está médio-cheio, quase crocante até, e há muito mais mineral do que fruta. É, enfim, um bom loureiro no sentido gastronómico! Mesmo num ano difícil para os vinhos verdes, este Ameal está leve, fresco, e mostra pouco açucar. A nosso ver, ficará muito bem a acompanhar saladas, embora muitos prefiram um vinho mais doce com esse tipo de prato.
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O preço, por volta dos €5 em várias grandes superfícies, também ajuda ao sucesso. Ideal no Verão.

15,5
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Próximos vinhos: Stanley Chardonnay (B) 2006; Brites Aguiar (T) 2006; Quinta do Soque (R) 2006; Quinta do Soque Reserva (T) 2005; Valle Pradinhos (R) 2007

sexta-feira, julho 18, 2008


Torais (T) 2005

Provado no restaurante Luar de Janeiro (Évora), na sequência de uma salada de coelho ao vinagrete e a acompanhar umas anafadas e roliças bochechas de porco preto. No copo, muita cor (quase opaco). No nariz, muita juventude. No todo, muita extracção, em força e deveras maduro. Taninos discretos e maduríssimos, com o espectável corpo arredondado. É uma pequena bomba de fruta, quase no excesso, mas com laivos curiosos (que gostámos) de rusticidade, pronta a agradar. Se levasse pontuação - i.e., se a prova tivesse sido feita noutro local e com rigor - seria bem capaz de se situar no intervalo 16-16,5. Para quem não dispensa sensações fortes quando se trata de vinhos tintos, a menos de € 12 (PVP) tem aqui qualidade alentejana a um preço que nos parece justificado.
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quarta-feira, julho 16, 2008

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Lançamento - Trilho (B) 2007

O bom-senso dita que num dia de sol, virados para o mar e mais a mais a acompanhar um prato de inspiração marítima, um vinho branco será um acompanhamento ideal. Foi neste cenário que provamos o Trilho (B) 2007, desde já esclarecendo que foi um dos brancos que mais nos surpreendeu nas últimas provas. A ligação gastronómica e o magnífico cenário da baía de Cascais estavam "programados" pois tratou-se de uma apresentação do vinho que decorreu no restaurante 100 Maneiras e que contou com a presença dos produtores e da equipa de enologia. Já o dia de sol, senão foi de encomenda foi então… digamos que um extra. Finalmente, o facto de estarem presentes vários blogger entre os convidados revelou a atenção cada vez maior que os produtores atribuíem a este meio de divulgação.

Pois bem, o Trilho a que nos referimos provém da melhor escolha das uvas brancas da Quinta das Bajancas, pertença de António Alfredo Lamas que, em 1993, partiu na aventura de fazer vinho. A par deste Trilho, que se situa como um topo-de-gama (pelo menos no que respeita a brancos), a Quinta das Bajancas possui ainda mais dois vinhos DOC Douro, um tinto e um branco de marca Bajancas, ambos com boa relação preço-qualidade.

Provado este Trilho uma segunda vez (agora em ambiente mais calmo), revela na cor reflexos esverdeados a comandar um conjunto palha, e logo surge o pressentimento que teremos aqui "coisa fresca". Aroma limpo, bem fresco (cá está…) e bastante intenso, primeiro com o comum ananás, mas depois com fascinantes referências vegetais (vegetais frescos e molhados) e tosta muito subtil. Entrada de boca muito fácil e equilibrada revelando, uma vez mais, significativa frescura e estilo crocante. Boa acidez, menor sensação ao álcool e ao estágio em madeira do que o nariz poderia fazer supor. Em fim, um vinho branco como gostamos: fresco mas com seriedade, fino não ultrapassando os 13,5% vol., e levemente seco.

A cerca de €15 terá concorrência feroz mas acreditamos que não fará má figura, bem pelo contrário! Em prova cega, admitimos mesmo que este Trilho (B) 2007 possa vir a surpreender e a superar concorrentes mais conhecidos e afamados da mesma região. Um branco a não deixar escapar!

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PS: Para a descrição do mesmo vinho pelo colega João Rico, veja-se aqui.
PS2: Nas fotos, o prato preparado para acompanhar o vinho (esquerda) e Pedro Sequeira da dupla 2PR (direita).
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