sábado, agosto 30, 2008



Altas Quintas Crescendo (B) 2007 Altas Quintas Crescendo (R) 2007

Mais dois "Crescendo" deste projecto sito no Parque da Serra de São Mamede, desta feita o rosé e o branco, ambos da colheita de 2007.
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O rosé, 100% aragonês, mostra-se vestido de um rosa "choc" fechado, com tonalidades violetas e arroxeadas. Nariz que começa com referências curiosas a espuma de café expresso que depressa se dissipam com o aproximar da fruta fresca, morango, framboesas, tudo fruta vermelha pouco madura. Boca ampla, de fácil ataque, com fruta gulosa e saborosa. Não sendo cansativo é, contudo, algo pesado. Poderá ser um rosé friendly para acompanhar pratos mais complexos ou servidos em dias quentes, bem como para aqueles consumidores que acham que todos os rosés têm pouca estrutura na boca. Este está feito com "peso e medida" e revela-se muito amigo da mesa. 15,5

O branco mostrou-se fresco também, mas esperávamos mais. Admitimos: pensávamos que a altitude podia ter dado mais a este branco... O lote é de verdelho, arinto e fernão Pires e, a par de nuances vegetais e uma fruta tímida, falta-lhe acidez. O problema pode ser nosso, pois ainda não conseguimos "dar vivas" a vinhos nos quais estivesse presente uma dose significativa de fernão pires. Na boca mantém o perfil vegetal, mas a falta de acidez não é tão evidente. Ao invés, revela volume e persistência, bem como um final de boca com significativa complexidade e prolongamento. Não deixa de ser uma boa escolha, mas talvez seja de consumir lá mais para o Outono ou mesmo durante o Inverno.
15
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Próximos vinhos: Crasto (B) 2007; Valle Pradinhos (B) 2007; Quinta de Cabriz Encruzado (B) 2007; Quinta do Crasto Old Vines Reserva (T) 2006; Crasto (T) 2007; Altas Quintas (T) 2005

quarta-feira, agosto 27, 2008


Altas Quintas Crescendo (T) 2005

Produzido a partir das castas aragonês e trincadeira, com estagio de 12 meses em barricas de carvalho francês e americano, este é a entrada de gama nos tintos do projecto Altas Quintas, néctares que provém de vinhas plantada a cerca de 600 metros em plena Serra de S. Mamede (Alto Alentejo). Sem dúvida: projecto ambicioso, de marketing competente e aguerrido (mesmo junto da restauração); em suma, não existe enófilo que não conheça, ou que não vá conhecendo...

Cor granada, pouco escura. Nariz com um primeiro impacto a madeira, não na versão doce (baunilha, caramelos) mas na versão austera (apara de lápis) com notas ainda a cravinho e canela (muita especiaria presente). Depois vem uma fruta tímida no início, madura (mas não sobremadura) e saborosa, à qual só falta intensidade. Mas parece que é feitio... não é defeito.

A boca mantém um perfil pouco exuberante, mas muito recompensador no que concerne a complexidade e frescura. Um vinho que não cansa e com clara propensão gastronómica. Se a fruta está madura no nariz, na boca é a frescura que mais brilha. Final de boca apimentado que lhe dá uma graça adicional!

Com 14% vol., é um tinto que procura um consumidor experiente que privilegia a complexidade à exuberância banal. A menos de €9 não é propriamente barato mas quem gostar do estilo (nós gostamos) não se vai arrepender.


15,5


Próximos vinhos: Altas Quintas Crescendo (B) 2007; Altas Quintas Crescendo (R) 2007; Crasto (B) 2007; Valle Pradinhos (B) 2007

terça-feira, agosto 19, 2008


Três anos depois... (ou «tintos e brancos mais frescos»)


Já lá vão praticamente três anos e meio de Saca-a-Rolha. Não será, certamente, tempo suficiente para fazer uma resenha (muito menos histórica) sobre a evolução dos vinhos nacionais, mas servirá, a nosso ver, para constatar duas tendências que consideramos muito positivas no mercado doméstico. Em bom rigor, trata-se apenas de uma única tendência (admitimos nós) mas com duas manifestações...

A primeira delas relaciona-se com a produção de vinhos tintos mais frescos e gastronómicos em claro contraponto com a tentativa de seguir o modelo dos tintos do "novo mundo", bem visível nas colheitas compreendidas entre 1997 e 2003. De facto, sobretudo desde a colheita 2004 - já de si uma colheita ideal para vinhos com boa evolução -, surgiriam cada vez mais tintos com um perfil acentuadamente sério, constituindo disso bons exemplos, entre vários outros, o transmontano Vale Pradinhos Reserva (T) 2004 (a menos de €20), os durienses Quinta da Sequeira Grande Escolha (a menos de €25) e o Pinote (T) 2005 (a menos de €12), bem como vários tintos alentejanos como os que resultam do projecto Altas Quintas (com preços entre os €9 e os €30), mas também o Roma Pereira (T) 2005 e claro o super-taninoso Grou (T) 2005 (ambos a menos de €20). No Dão nem se fala tantos que são os tintos nesse registo fresco e gastronómico, apesar dos alegados abusos no uso da touriga nacional... quedamo-nos, quanto a exemplos, pelo Quinta da Vegia Reserva (T) 2005 (a menos de €25) e pelas monocastas tourigas da mesma colheita provenientes quer da Quinta do Perdigão (a menos de €25) quer da Quinta da Fata (a menos de €20).

A segunda manifestação é a busca por brancos também eles cada vez mais frescos, com uma boa acidez e, em alguns casos, secos. Nos brancos, a colheita de 2005 e, sobretudo, a de 2007, possibilitou a produção de vinhos de qualidade muito elevada. A par de diversos verdes (Soalheiro, Muros de Melgaço, Ameal, Lixa, etc), vários são os brancos do Douro e do Dão que, não sendo muito caros, começam a ser um caso sério no que respeita a níveis de frescura, abandonando assim modelos de produção onde a madeira nova se encontrava muito marcada e se pretendia vinhos pesados e exageradamente untuosos. São caso disso, no Douro, os recentes Trilho (B) 2007 (a menos de €15), o Encosta Longa Reserva (B) 2007 (a menos de €10), o perfumado Aneto (B) 2007 (a menos de €15) - para não falar dos Niepoort, com destaque para o delicioso Tiara (B) 2007 (a menos de €15) - e, no Dão, o Quinta do Cabriz Encruzado (B) 2007 (a menos de €10) ou o Quinta dos Roques Encruzado (B) 2007 (a menos de €12). No Alentejo, são igualmente vários os brancos cada vez mais frescos, com destaque evidente para os produzidos a partir da casta antão vaz e, a título individual mas ainda como mero exemplo entre outros, para o Conde de Ervideira Reserva (B) 2007 (abaixo dos €10). Mas, claro, não nos ficamos por estas regiões, nem pela colheita de 2007, bastando para isso fazer notar a excelência do Quinta do Lagar Novo Chardonnay (B) 2006 (a menos de €13), um belíssimo vinho da Estremadura logo num ano particularmente difícil para a produção de brancos frescos e secos.

Com o suposto "aquecimento global do Planeta" (que não se nota nem um pouco neste Verão de 2008, à semelhança do que sucedeu em 2007), são duas óptimas manifestações de uma mesma óptima tendência (repetição à parte); dizemos nós em forma de festejo!
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Ora, foi exactamente num festejo que tirámos a fotografia que se encontra no canto superior direito deste texto. Evidentemente, foi necessária uma considerável dose de acaso e (sobretudo) de sorte para a conseguir (os leitores sabem bem que a fotografia não é o nosso forte...), mas julgamos que fica muito bem a encabeçar esta pequena nota escrita respeitante à passagem de mais de três anos do blog Saca-a-Rolha.
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PS: Quanto aos vinhos da fotografia, o Chryseia (T) 2006 está ainda "fechado", e revela-se por ora um pouco austero; o Quinta do Crasto Maria Teresa (T) 2005 mantém-se simplesmente sublime. Ambos os vinhos são caros e, por isso, recomenda-se que sejam bebidos apenas em cerimónias ou ocasiões muito especiais. Foi o caso!

sábado, agosto 16, 2008



Quinta do Lagar Novo Chardonnay (B) 2006


Sita em Alenquer, a Quinta do Lagar Novo é pertença da família Carvalho: pai Luís Carvalho, coordenador do projecto, e os filhos Tiago Carvalho e João Carvalho, responsáveis pela enologia e viticultura, respectivamente. Provámos, uma vez, o branco Regional Estremadura varietal Chardonnay da colheita de 2006. A de 2007 estará brevemente no mercado.

Cor amarela palha com nuances verdes. Grande complexidade aromática, mas ainda assim directo e muito focado no nariz. Belíssimo aroma: subtil nas componentes vegetais e aberto nos registos mais frutados (eg., pêra). Bela entrada de boca, franca, fresca e muito ampla. Poucos ou mesmo nenhuns "tiques" excessivamente amanteigados ou pesados dos chardonnays mais divulgados pelo nosso país. Em suma: amplitude sem peso; secura no limite máximo (pelo menos para um ano quente como foi o de 2006); e enorme final de boca. Muito bom mesmo!

Sem dúvida, um dos chardonnays produzido em Portugal que mais gostámos faz anos! A nosso ver, está uns pontos acima do irmão viognier, mas haverá sempre quem diga o contrário e, em bom rigor, tudo dependerá do momento de consumo e da combinação gastronómica. Encontramo-nos verdadeiramente "em pulgas" para provar a versão de 2007. A menos de € 13 é um vinho obrigatório nas garrafeiras de todos os enófilos.

17



Próximos vinhos: Altas Quintas Crescendo (T) 2005; Altas Quintas (B) 2007; Altas Quintas Crescendo (R) 2007; Crasto (B) 2007; Valle Pradinhos (B) 2007

quarta-feira, agosto 13, 2008


Pinote (T) 2006

A mesma "troca" de know-how e de uvas entre Bairrada e Douro. Desta feita, é a vez do tinto que é produzido a partir de uvas do Vale Mendiz mas com enologia da Campolargo. Trata-se de um lote de vinhas velhas, com muitas castas diferentes e predomínio para a touriga nacional (cerca de 15%). O vinho vê madeira, mas quase toda com mais de um ano, e isso nota-se, como veremos adiante.

Cor cereja não muito escura, com auréola vermelho claro. No início o vinho abre um aroma simples, directo, a fruta vermelha (morango, framboesa madura), tudo muito fresco. Com a passagem dos minutos, a complexidade adensa-se mas a frescura mantém-se no copo. Uma ligeira sensação a álcool revela que o néctar ainda está pouco à vontade com a garrafa.

Na boca surge a fruta fresca, raínhas-cláudia, fruta vermelha uma vez mais, aqui e ali em camadas de fruto mais maduro. Taninos irrequietos, duros até mas saborosos. Pendor de secura, muita frescura, amêndoa amarga, coco, avelãs e ligeiro cacau amargo no fim de boca (nada de "baunilhas" a lembrar madeira nova). Bom comprimento final.

Um vinho muito diferente do que a moda tem ditado nos últimos anos e, por isso, a descobrir. Frescura e taninos rijos são as principais marcas deste tinto que promete muita longevidade (mínimo 10 anos) e isso reflecte-se no intervalo da pontuação. Óbvio carácter gastronómico para comidas pesadas. Servir a 17º ou 18º. O preço é igual ao do branco, a menos de € 70 a caixa com seis vinhos, três tintos e três brancos (ver post anterior para o Pinote branco).

16,5-17


Próximos vinhos: Quinta do Lagar Novo Chardonnay (B) 2006; Altas Quintas Crescendo (T) 2005; Altas Quintas Crescendo (B) 2007; Crasto (B) 2007

segunda-feira, agosto 11, 2008


Pinote (B) 2007

Apresentado em meados de Junho em Mogofores. É a cara metade de um tinto com o mesmo nome (mas da colheita de 2006), constituindo parte de um projecto muito interessante levado a cabo por Campolargo e GR Consultores (Rui Cunha e Gonçalo Lopes). O mote foi permitir que a GR Consultores trabalhasse um lote de castas brancas provenientes da Bairrada, enquanto Raquel Carvalho, a enóloga da Campolargo, afinava um lote de vinhas velhas do Vale Mendiz (Douro).

Vamos ao branco. Provado uma vez. Apresenta cor palha. Nariz muito floral, complexo, percebendo um lote onde as flores e os frutos tropicais prevalecem sobre a frescura e acidez. Alguma mineralidade, algum doce, ligeira amêndoa-amarga (com nuance de barrica), num todo de carácter vinioso. Melhora na boca, grande ataque inicial, quase crocante, cheio e poderoso. No final, novamente um carácter ligeiramente adocicado que não chega, porém, a destoar.

As notas mais gordas e adocicadas parecem vir da responsabilidade da viognier e de algum arinto (ambas fermentadas em barrica), estando ainda presente a bical e o sauvignon blanc (ambas fermentadas em inox). Há ainda um pouco de verdelho, mas muito escondido.

Bom branco, ao qual falta talvez um pouco de acidez, mas que poderá acompanhar muito bem assados, queijos secos (eg., um plasencia) e massas tais como uns ravioli recheados de tomate (fica a nossa sugestão). Servir bem fresco, abaixo dos 14º. Brevemente à venda, em caixas de 6 - com 3 brancos e outros tantos tintos - a menos de € 70 cada caixa.


16
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Próximos vinhos: Pinote (T) 2005; Quinta do Lagar Novo Chardonnay (B) 2006; Altas Quintas Crescendo (T) 2005; Altas Quintas Crescendo (B) 2007; Crasto (B) 2007

quarta-feira, agosto 06, 2008


Valle Pradinhos (R) 2007

Novíssima edição deste rosé da conhecida casa de Macedos de Cavaleiros (Trás-os-Montes) produzido com base nas castas tinta roriz e touriga nacional. No copo revela uma cor vermelho cereja, muito brilhante. Nada esbatida, nada de cores menos aguerridas por estas bandas - este é mesmo vermelho (longe dos "tons salmonados" de outros rosés), muito bonito por sinal. Nariz muito direccionado para fruta de árvore (cereja) com ligeiro floral. Fruta vermelha fresca, acídula nas referências a morangos pouco maduros (diferentes, portanto, dos clássicos de Sintra, que, como é sabido, são muito doces e pequenos). Boa entrada de boca, ampla e limpa. Novamente directo e saboroso na componente frutada, mas mantém um estilo sóbrio e ligeiramente seco na senda das anteriores colheitas.
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Em suma, alguma sobriedade num rosé de enorme frescura e acidez, excelente para acompanhar refeições de Verão (é pena o álcool com 13,80% vol.). O intervalo na pontuação aproxima-o das melhores pontuações que atribuímos a um rosé, e isso diz muito sobre quanto gostámos dele. A menos de € 7 não é propriamente barato (mas a verdade é que, em rigor, são cada vez mais raros os rosés bons e baratos...).


15-15,5


Próximos vinhos: Pinote (B) 2007; Pinote (T) 2005; Quinta do Lagar Novo Chardonnay (B) 2006; Altas Quintas Crescendo (T) 2005

segunda-feira, agosto 04, 2008


Quinta do Soque Reserva (T) 2005

Provado duas vezes, uma das quais após o rosé da mesma quinta. A partir das castas touriga nacional, touriga franca e tinta roriz, estagiou em barricas de carvalho francês. Todo ele muito internacional: na cor, no nariz e na boca. Cor cereja escura, mas não opaco, com ligeiros sinais de evolução. Nariz muito intenso a fruta madura de boa qualidade e gulosa (eg., ameixa muito madura), num conjunto onde a touriga nacional e a roriz se destacam. Excessivamente directo, por vezes algo plano, mas a boca corresponde, é agradável, arredondada e macia. Taninos discretos, aqui e ali mais marotos (talvez da madeira...). Final comprido, saboroso, com nuances fumadas, muito bem conseguido neste aspecto.
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Um estilo moderno e acessível cada vez mais presente no Douro. E porque não? Apostamos que muita gente gostará. A menos de €20 acompanhará bem uma carne de vaca bem passada, podendo ainda ser bebido a acompanhar uma sobremesa de fruto vermelho pouco doce.

16-16,5
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Próximos vinhos: Valle Pradinhos (R) 2007; Pinote (B) 2007; Pinote (T) 2005.

quinta-feira, julho 31, 2008


Quinta do Soque (R) 2006

Apresentado neste evento como aperitivo. Provado por duas vezes. Pertence à classe de rosés que, felizmente (para nós), se repete com frequência no Douro (e também, mas com menos expressão, no Dão). Isto é, rosés mais fechados, tímidos, pouco conversadores mas recompensadores quando se trata de acompanhar umas sardinhas assadas, uma piza ou uma salada de pimentos.
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No copo revela cor salmão com ligeira evolução (já lá vão quase 2 anos em garrafa...), nariz silvestre com referências não muito intensas a morango maduros e um fundo que aparenta madeira queimada. Fruto vermelho discreto e pouco expressivo numa boca de pendor claramente vegetal, mesmo algo terrosa. Travo amargo no fim de boca que tende a aumentar com temperatura mais alta. Final contido que, contudo, agrada por mostrar alguma secura.

Terminamos como começámos - apreciamos este "estilo sério" nos rosés. Este Quinta do Soque estará, porventura, demasiado sério, o que poderá ser explicado por não ter sido provado no ano de colheita. Em todo o caso, é uma aposta válida, não tanto para aperitivo, mas antes para acompanhar comida e não nos referimos apenas à tradicional ligação com a gastronomia exótica/oriental.


14,5


Próximos vinhos: Quinta do Soque Reserva (T) 2005; Valle Pradinhos (R) 2007; Pinote (B) 2007; Pinote (T) 2005.

domingo, julho 27, 2008


Brites Aguiar (T) 2006

Apresentação à imprensa realizada no restaurante Gemelli. Provado por duas vezes. Este tinto, produzido a partir de vinhas sitas nas encostas do Rio Torto e de um dos seus afluentes, a Ribeira de Galegos, combina touriga nacional, touriga franca e tinta roriz. Depois, estagiou por 18 meses em barricas Allier tosta média com 500 litros de capacidade, integralmente novas (três anos de secagem das tanoarias Cadus, Seguin Moreau e François Freres).

A cor é intensa, num registo de cereja muito escuro mas não opaco. Nariz de alta concentração, com fruta azul e preta muito madura. Carácter lácteo evidente e muito arredondado (o grau de álcool ajuda), com caramelo, doce de leite, e chocolate de leite. Com arejamento surge um lado floral que deveria estar (a nosso ver) mais presente. Na boca, altera ligeiramente o perfil internacional e situa-se num patamar mais fresco, algo mineral, mas mantém-se amplo, lácteo e muito directo, apelativo. Com taninos suaves e muito maduros é de fácil agrado este tinto! O seu volume alcoólico (15%) é escondido por alguma frescura, a barrica caminha para uma boa integração, e só o final podia dar um pouco mais (mas é certo que o ano não ajudou nesse aspecto).

Deste tinto encheram-se 6840 garrafas de 750ml e 200 garrafas magnum. Entre €25-€30, é uma escolha acertada - mas não barata - para quem gosta de um perfil directo, focado na fruta madura, internacional.

16,5


Próximos vinhos: Quinta do Soque (R) 2006; Quinta do Soque Reserva (T) 2005; Valle Pradinhos (R) 2007; Pinote (B) 2007; Pinote (T) 2005

terça-feira, julho 22, 2008


Stanley Chardonnay (B) 2006

Vinho produzido pela Fundação Stanley Ho, liderada pelo conhecido empresário do mundo dos casinos e que era, até há pouco, o 84º homem mais rico do Planeta de acordo com a Forbes. Quanto ao vinho, tem uma cor clara e trata-se de um chardonnay pouco típico, quase "ilegítimo" se pensarmos nas principais referências francesas. Desregramento de notas tropicais no nariz num aroma muito carregado e pesado, mesmo para o padrão português da casta. Na boca, revela uma entrada que praticamente passa despercebida, mas arranca depois um travo final de mel demasiado evidente e que chega a incomodar, num conjunto que aparenta excesso de doçura. Nem a proximidade do mar - provém de uma vinha sita nas Azenhas do Mar (Sintra) - lhe confere a acidez que dele esperávamos.

Decididamente (para nós), o estilo menos interessante no chardonnay, mas, ainda assim, um esforço evidente num dos locais do País mais inóspitos e esquecidos para a produção de vinhos. Desconhece-se o preço e aconselha-se servir muito fresco. Poderá acompanhar alguns pratos de comida exótica de origem indiana, chinesa ou tailandesa.

14
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Próximos vinhos: Brites Aguiar (T) 2006; Quinta do Soque (R) 2006; Quinta do Soque Reserva (T) 2005; Valle Pradinhos (R) 2007

domingo, julho 20, 2008


Quinta do Ameal Loureiro (B) 2006

Quase transparente quando colocado no copo (comecei por escrever "branco", mas claro que branco só o leite). A casta, normalmente muito exuberante, apenas se revela aguerrida no nariz. Na boca, está médio-cheio, quase crocante até, e há muito mais mineral do que fruta. É, enfim, um bom loureiro no sentido gastronómico! Mesmo num ano difícil para os vinhos verdes, este Ameal está leve, fresco, e mostra pouco açucar. A nosso ver, ficará muito bem a acompanhar saladas, embora muitos prefiram um vinho mais doce com esse tipo de prato.
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O preço, por volta dos €5 em várias grandes superfícies, também ajuda ao sucesso. Ideal no Verão.

15,5
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Próximos vinhos: Stanley Chardonnay (B) 2006; Brites Aguiar (T) 2006; Quinta do Soque (R) 2006; Quinta do Soque Reserva (T) 2005; Valle Pradinhos (R) 2007

sexta-feira, julho 18, 2008


Torais (T) 2005

Provado no restaurante Luar de Janeiro (Évora), na sequência de uma salada de coelho ao vinagrete e a acompanhar umas anafadas e roliças bochechas de porco preto. No copo, muita cor (quase opaco). No nariz, muita juventude. No todo, muita extracção, em força e deveras maduro. Taninos discretos e maduríssimos, com o espectável corpo arredondado. É uma pequena bomba de fruta, quase no excesso, mas com laivos curiosos (que gostámos) de rusticidade, pronta a agradar. Se levasse pontuação - i.e., se a prova tivesse sido feita noutro local e com rigor - seria bem capaz de se situar no intervalo 16-16,5. Para quem não dispensa sensações fortes quando se trata de vinhos tintos, a menos de € 12 (PVP) tem aqui qualidade alentejana a um preço que nos parece justificado.
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quarta-feira, julho 16, 2008

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Lançamento - Trilho (B) 2007

O bom-senso dita que num dia de sol, virados para o mar e mais a mais a acompanhar um prato de inspiração marítima, um vinho branco será um acompanhamento ideal. Foi neste cenário que provamos o Trilho (B) 2007, desde já esclarecendo que foi um dos brancos que mais nos surpreendeu nas últimas provas. A ligação gastronómica e o magnífico cenário da baía de Cascais estavam "programados" pois tratou-se de uma apresentação do vinho que decorreu no restaurante 100 Maneiras e que contou com a presença dos produtores e da equipa de enologia. Já o dia de sol, senão foi de encomenda foi então… digamos que um extra. Finalmente, o facto de estarem presentes vários blogger entre os convidados revelou a atenção cada vez maior que os produtores atribuíem a este meio de divulgação.

Pois bem, o Trilho a que nos referimos provém da melhor escolha das uvas brancas da Quinta das Bajancas, pertença de António Alfredo Lamas que, em 1993, partiu na aventura de fazer vinho. A par deste Trilho, que se situa como um topo-de-gama (pelo menos no que respeita a brancos), a Quinta das Bajancas possui ainda mais dois vinhos DOC Douro, um tinto e um branco de marca Bajancas, ambos com boa relação preço-qualidade.

Provado este Trilho uma segunda vez (agora em ambiente mais calmo), revela na cor reflexos esverdeados a comandar um conjunto palha, e logo surge o pressentimento que teremos aqui "coisa fresca". Aroma limpo, bem fresco (cá está…) e bastante intenso, primeiro com o comum ananás, mas depois com fascinantes referências vegetais (vegetais frescos e molhados) e tosta muito subtil. Entrada de boca muito fácil e equilibrada revelando, uma vez mais, significativa frescura e estilo crocante. Boa acidez, menor sensação ao álcool e ao estágio em madeira do que o nariz poderia fazer supor. Em fim, um vinho branco como gostamos: fresco mas com seriedade, fino não ultrapassando os 13,5% vol., e levemente seco.

A cerca de €15 terá concorrência feroz mas acreditamos que não fará má figura, bem pelo contrário! Em prova cega, admitimos mesmo que este Trilho (B) 2007 possa vir a surpreender e a superar concorrentes mais conhecidos e afamados da mesma região. Um branco a não deixar escapar!

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PS: Para a descrição do mesmo vinho pelo colega João Rico, veja-se aqui.
PS2: Nas fotos, o prato preparado para acompanhar o vinho (esquerda) e Pedro Sequeira da dupla 2PR (direita).
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domingo, julho 13, 2008

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Dona Maria Reserva (T) 2003

Depois da viagem ao Douro e de algumas novidades, é tempo de voltar às provas que andavam em lista de espera. E é um regresso em cheio com este tinto de Estremoz. Júlio Bastos, produtor e, acima de tudo, winemaker (não no sentido de enólogo mas de "homem por detrás do vinho"), foi responsável (como muitos sabem) pelos famosos garrafeira da Quinta do Carmo. Depois da alienação de parte dessa quinta, e na sequência de reestruturações empresariais, Júlio Bastos tem hoje uma gama completa: começa com o Dona Maria (branco e tinto), depois o Amantis, o Dona Maria Reserva tinto e o topo de gama Júlio B. Bastos Alicante Bouschet (feito com as vinhas velhas supostamente da mesma idade daquelas que entravam nos melhores lotes dos Quinta do Carmo).

Mas vamos à primeira edição do tinto reserva. Ao início, brota um aroma incrivelmente intenso, muito moderno na abordagem à fruta, gulosa mas com marca exótica pela madeira. Depois, notas frescas e discretas amentoladas combinam com um fundo balsâmico (resina, verniz também) um pouco mais agressivo mas sem ferir a elegância - muito bom aroma, sem qualquer dúvida, todo do estilo cativante mas não enjoativo! Na boca apresenta-se cheio, muito amplo, com fruta madura (groselha preta, amoras) sem cansar, por vezes quase fresco. Final saboroso que, todavia, poderia ser um pouco mais longo (seria um fenómeno...). Na verdade, sempre que parecia estar pronto a saciar, eis que apetecia provar um pouco mais.

Em suma, um vinho que é na base extremamente sedutor e complexo. Mas é mais do que isso, tem seriedade e deverá evoluir bem em garrafa (admitimos mais 5 anos). Não é barato, entre €25 e €30, mas a qualidade apresentada é muito boa, pelo que vale a pena a compra.

17,5


Próximos vinhos: Torais (T) 2005; Quinta do Ameal Loureiro (B) 2006; Stanley Chardonnay (B) 2006

sexta-feira, julho 11, 2008


Novidades - brancos:
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Serros da Mina (B) 2006
Encosta Longa Reserva (B) 2007

Na verdade não são ambos de 2007 mas, para nós, no fim de contas (ou seja, no fim de prova) o duriense revelou-se "uns furos acima" do alentejano.
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O primeiro - o Serros da Mina - é produzido pela Herdade das Barras na tórrida Vidigueira. No copo, a casta viognier surge muito madura e o antão vaz não ajuda ao lote que se torna, assim, algo pesado o que se pode explicar pelo ano quente (mas talvez funcione com alguns queijos de pasta mole). Já o corpo é gordo e revela muita untuosidade (as castas ajudam nesse ponto), mas a fruta tropical anda longe de ser fresca ou sequer original. Em suma, é um vinho bem feito mas exige combinação gastronómica certeira e deverá ser consumido preferencialmente no Inverno.
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Ao invés, o branco duriense da sub-região Cima Corgo, está muito elegante com a madeira bem integrada a pedir, no entanto, mais dois ou três meses de garrafa. A fruta é citrina, e o vinho manifesta um fundo mineral muito atraente (ver aqui a descrição completa do Pingas). Final de boca limpo, directo e saboroso; é um vinho que não cansa apesar da acidez não ser o seu maior atributo. Concluindo, trata-se de mais um belo vinho, muito versátil (para o Verão e Inverno) deste produtor localizado em S. João da Pesqueira.
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Sendo claramente estilos muito diferentes, mas com preços que rondam os €10 a €15, o troféu coube ao Encosta Longa, e não há dúvida que os brancos do Douro estão cada vez um caso mais sério. O facto do Serros da Mina ser de 2006 poderá ter prejudicado mas apenas no nível de frescura.


terça-feira, julho 08, 2008

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Quinta de Roriz

"Quem ri por último, si melhor", assim deve ter pensado João Van Zeller - feliz comproprietário e actual responsável máximo pela Quinta de Roriz - ao conceber a recepção neste que seria a nossa última visita. Após vários dias numa viagem fantástica no Douro, o melhor estava, de facto, para vir.

Uns foram de barco, outros (como nós) preferiram quase trinta minutos de puro todo-o-terreno. À chegada, tiros de morteiro! De seguida, prova vertical! Pouco depois, patuscada ao som de acordeões! Por fim, almoço em plenos lagares! Mas isto é pouco perante a beleza do cenário de uma propriedade com quase dois quilómetros de margem de rio e um micro clima cheio de sol em parte devido a uma encosta em anfiteatro que a rodeia. Sem dúvida, a par de uma outra no Douro Superior (adivinham?), uma das mais belas quintas que conhecemos.

A título de novidade, ficámos a conhecer um pouco mais as razões que levaram à recente mudança na enologia que passou este ano da Syminthon para a dupla Cristiano Van Zeller e Sandra Tavares da Silva, sendo certo que só provaremos os resultados desta nova união lá mais para frente, talvez para o ano. Quanto à distribuição, esta está um pouco complicada mas deve também melhorar em breve e o consumidor agradece.

Quanto à prova propriamente dita, num belíssimo armazém recuperado, foi muito conseguida com o Quinta de Roriz Reserva (T) 2004 a revelar-se talvez o melhor tinto desta casa, pleno de elegância - e a um belo preço diga-se, para o que foi considerado o segundo melhor vinho ibérico do Douro - e um surpreendente Quinta de Roriz vintage (P) 2002 com garra, ligeiro vegetal, e um final picante.

Pois bem, se o Reserva 2004 é um tinto a não perder, Roriz é uma quinta a não esquecer. O melhor fecho possível numa viagem que provou ser, no dia-a-dia, ainda mais fantástica do que no papel quando em projecto. Para o ano haverá mais!
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Nas fotos, a vertical realizada e o lindíssimo cenário que envolve a Quinta de Roriz.
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domingo, julho 06, 2008


Novidade: D + D (T) 2005

Chama-se D+D, significando "Drink & Dreams", e, ao que parece, resulta de uma parceria entre o Grupo Sogevinus, as Bodegas Emílio Moro e accionistas particulares como o futebolista Luís Figo. É um vinho produzido a partir de uvas nacionais, da região do Douro, e trabalhado por dois enólogos: Francisco Gonçalves (Sogevinus) e José Carlos Alvaréz (Bodegas Emílio Moro).

Diz-se feito a partir de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, mas é a primeira das castas que mais se revela por ora. Diz-se um super-premium, mas disso não temos a certeza. Mais certo estamos da imediata sensação a fruta fina tipicamente duriense, mais a mais englobada num invólucro balsâmico e especiado (aparenta bom trabalho na madeira) e curiosas referências a côco ralado. Na boca, a fruta é mais madura do que no nariz (mas sem excesso) e cabe dentro de um corpo muito redondinho e de final pouco assertivo, embora elegante. Tudo muito ajustado, os taninos mui suaves, enfim um conjunto "com peso e medida" que arriscamos apelidar-lhe de cariz feminino. Até o teor alcoólico, que não passa dos 14%, está politicamente correcto, mas a "força" que dizem ter não a notamos.

Diz-se finalmente que tem um preço à volta dos €45 e uma produção de 25.000 garrafas. Pois bem, se é certo que se trata de um vinho fora do comum devido à promoção ao seu redor e ao seu carácter limitado, a verdade é que situa-se numa gama difícil e onde a concorrência parece, a nosso ver, levar a melhor.


17
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segunda-feira, junho 30, 2008


Quinta Vale D. Maria

Os dias iam passando e o calor apertando (mas nós gostamos disso). Os dias iam passando e eram cada vez mais os vinhos provados (mas nós gostamos disso)! Não, não estamos a delirar e nem carregámos no copy/paste sem querer…

O que queremos dizer é que uma interrogação pairava sobre nós: haveria ainda uma quinta que gostaríamos de ver de perto? Por outras palavras, haveria ainda um projecto sem o qual a nossa visita ao Douro não estaria completa? Havia sim! O seu nome: Quinta Vale D. Maria.

Bem vistas as coisas, não é tanto a quinta em si – apesar de sita numa bonita encosta do vale do rio Torto – que mais nos cativa, antes os vinhos que produz e, em especial, o fantástico CV. Ora, de manhã bem cedinho, mal chegados à Quinta Vale D. Maria por um caminho que só o recurso a uma viatura 4x4 permitiu, fomos recebidos pela sempre eloquente e graciosa Sandra Tavares da Silva (o Cristiano Van Zeller estava ausente do país) que nos tratou de apresentar a propriedade.
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O facto da Quinta ser relativamente pequena, e a casa e a adega serem mesmo exíguas, permitiu-nos uma visita célere a todas as instalações e, assim, irmos quase directamente ao que interessa - às novidades! Ora, dos vários vinhos provados, alguns brancos incluídos - que, contudo, ainda não nos seduziram por completo - é, sem dúvida, o CV (T) 2005 (bem como a amostra do eventual 2007) que mais nos apaixona. Isto apesar das amostras de casco do Vale D. Maria (T) 2007 se revelem bombásticas e muito promissoras. Depois foi tempo de mais alguma conversa à volta dos vinhos da quinta e continuar viagem com a Sandra Tavares da Silva para o mais recente projecto de consultadoria (próximo texto).
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Agradecimentos justíssimos ao Cristiano Van Zeller e à Sandra. Nas fotos, a entrada para a casa da quinta em cima, as "estradas" do Douro (com a Sandra Tavares da Silva a guiar a viatura cinzenta) em baixo à esquerda, e alguns dos vinhos provados em baixo à direita.










quarta-feira, junho 25, 2008


Quinta do Vallado

É certo: a seguir à mítica Noval era difícil retomar o passeio e pensar que qualquer outra quinta podia se igualar. Mas eis que, mal chegados ao Vallado, a simpatia do Francisco Ferreira fez-nos recuperar a fé que, afinal, muita coisa boa estava para vir…

E assim foi! Na sequência de uma visita à unidade de turismo da quinta (muito bonita por sinal), à adega e ao armazém, foi vez das provas. E que provas! Iniciou-se com alguns brancos simpáticos (para mais, a tarde estava quente) dos quais surpreendeu um Vallado Reserva (B) 2007. A seguir, "contentámo-nos" com uma vertical de Quinta do Vallado Reserva, desde 1999 até 2005. De todos os vinhos provados, foram as colheitas de 2003 (este a um grande nível) e a de 2005 as que mais brilharam pela forte presença aromática e boca potente, apesar da elegância de 2000 e, sobretudo, de 2004 merecem justo destaque. Enfim, foi a prova (provada…) que o terroir da Quinta do Vallado – na fronteira entre Baixo e Cima-corgo – dá-se muito bem com anos quentes e secos.

Depois, veio o privilégio de provar o Quinta do Vallado Adelaide (T) 2005, um super topo-de-gama feito a partir das vinhas mais velhas da quinta, e com uma apresentação muito cuidada que foge ao laranja típico da marca e opta pelo azul. Em breves palavras, o melhor vinho do Vallado que provámos até hoje, mas cuidado com preço (upa upa)!

Tempo houve ainda para provar várias experiências da vindima de 2007, vinhos de vinhas específicas e/ou castas pouco conhecidas ou que raramente se misturam. No fim, um lanche ajantarado como não há memória, e sempre a simpatia do Francisco Ferreira, a quem muito se agradece, a contagiar todos os presentes.


Nas fotos, em baixo, alguns dos vinhos da vertical realizada e a imponente garrafa do Quinta do Vallado Adelaide (T) 2005. Em cima, foto do bonito edifício da quinta destinado ao turismo.

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