terça-feira, Julho 31, 2012

Prova


Montes Claros Garrafeira (t) 2008

Topo de gama da Adega de Borba e um verdadeiro topo alentejano. Se são os vinhos mais acessíveis os mais badalados desta adega, não existem razões para que este belíssimo tinto não seja mais conhecido do grande público. A par da fruta generosa que se espera de um alentejano, tem notas elegantes de especiarias, tabaco e alcatrão, que aumentam muito a complexidade. Longe de ser uma 'bomba de cheios', é um vinho sério e que merece o qualificação de "garrafeira". Espere-se mais um par de anos e desfrute-se dele, de preferência à mesa!

17++

segunda-feira, Julho 23, 2012

Prova

Terra d' Alter Reserva (b) 2010


Um branco alentejano que procura - e consegue - fugir ao estereótipo dos brancos da região. O facto de o projecto estar mais a norte (em Terras de Alter, como sugere a marca), próximo da Serra de S. Mamede ajuda, e encontramos neste branco um registo fresco, ligeiramente vegetal até, com finura e prolongamento de prova de boca. Muito afinado, seco e gastronómico, é uma boa aposta para este Verão.


16,5

terça-feira, Julho 17, 2012

Do antigamente

Periquita Clássico (t) 1994


Em poucos vinhos o desigantivo clássico faz tanto sentido quanto neste Periquita topo-de-gama. Tem o perfil sério, seco e ligeiramente rústico, habituado à garrafa, característico dos vinhos clássicos portugueses. Em jovem (lembramo-nos de o provar faz vários anos na garrafeira Coisas do Arco do Vinho) era taninoso, com a rusticidade à solta, e fruta negra.


Hoje, quinze anos depois, está um vinho absolutamente fantástico e ainda com pernas para andar (apesar de não haver razão para o continuar a guardar). Com uma cor encarnada escura, nariz com laivos de cereja e ligeiro verniz, óptima complexidade (quem diria ser apenas Castelão?), e explode com um final de boca absolutamente demolidor.


Seguramente um dos melhores vinhos tintos, não fortificados, da colheita de 1994 por nós provado.

sexta-feira, Julho 13, 2012

Novidade



Vinhos BEYRA


Os mais atentos aos lançamentos de novidade vinícolas já conhecerão, porventura, este novo projecto de Rui Madeira (criador da VDS no Douro Superior). E isto porque aqui e ali (na imprensa escrita e nos blogs) já muito se escreveu – são vinhos de altitude, com óptima acidez e mineralidade, frescos e com um final de boca assinalável. É tudo verdade. Também é realçado que a presença de filões de quartzo no terroir da Vermilhosa é uma mais-valia, o que também é verdade, apesar de não ser exclusivo do concelho de Castelo Rodrigo (de repente, lembramo-nos de Macedo de Cavaleiros que também os tem, e disso se sente nos óptimos vinhos de Valle Pradinhos).

Assim, quanto a nós, o que queremos assinalar neste novo projecto, a par da mineralidade e frescura dos vinhos, é a fantástica relação preço-qualidade dos mesmos. Por ora, são três os vinhos, e por ora só brancos; o mais caro – o belíssimo Beyra (b) Superior 2011 – cifra-se em 9€. Mas o espanto é maior quando nos apercebemos que os dois vinhos de entrada de gama – o Beyra (b) 2011 e o Beyra Quartz (b) 2011 (que, dizem-me, vendem-se no Continente) – custam, respectivamente, 3€ e 5€ e são ambos muito interessantes. O Quartz, em particular, é de beber e chorar por mais.


É caso para concluir que beber um branco mineral português deixou de ser um luxo. Com os vinhos deste projecto BEYRA, passou mesmo a ser acessível. Por isso, trata-se obviamente de uma das melhores novidades deste ano.

terça-feira, Julho 10, 2012

Prova


Quinta dos Vales Grace viognier (b) 2011

Um dos melhores brancos do Algarve que já provámos, e logo de uma casta que, a nosso ver, teima em não produzir brancos de primeira linha em Portugal (apesar de cada vez mais plantada por cá...). Ao invés do perfil nacional – vinhos quase sempre volumosos e untuosos, muitas vezes sem qualquer graça ou frescura – este viognier de Estômbar revela-se citrino na prova de nariz, combinando um ligeiro floral com referências a relva cortada (a lembrar um pouco Sauvignon). A prova de boca é muito agradável, fresca e com o volume certo (i.e., nem muito nem pouco), e um final assinalável.

A colheita de 2011 ajudou, como é sabido, a produzir bons brancos. Mas, em qualquer caso, é um esforço assinalável produzir um branco tão equilibrado no terroir quente da DOC de Lagoa, e nem se notam os seus 14,5% de alc. Tal revela aprumo na vinha (escolher o melhor momento para vindimar) e na adega (na qual se optou – e bem, tendo em conta o resultado final – por não passar o vinho por madeira). E confirma também que preconceitos em relação a regiões e tipos de vinho são muitas das vezes contrariados quando os provamos. Quem diria, afinal, que escontraríamos um dos melhores viogniers do país no Algarve?


16,5-17