quinta-feira, Junho 30, 2011

Provas

Esporão Petit Verdot (t) 2008

Não é primeira vez que escrevemos que os vinhos alentejanos do Esporão estão cada vez melhores, pelo menos a gama Vinha da Defesa (óptimo o rosé das últimas duas edições), os Private Selection (melhor o tinto que o branco), e a nova colecção de monocastas.

Nestes últimos, o salto qualitativo foi, mesmo, impressionante. E as versões de 2008  (o segundo ano da "nova vida" dos monocastas do Esporão, mais selectos e exclusivos do que no passado e com upgrade imagem) que agora foram apresentadas não desiludem em face das versões apresentadas na colheita de 2007, revelando a consistência que a marca Esporão costuma proporcionar.

Das versões de 2008, destacamos o Petit Verdot (PV). E assim o fazemos não tanto (ou melhor, não apenas) pela casta estar cada vez mais em voga (de súbito, lembramo-nos de pelo menos meia dúzia de PV espalhados de Beja a Alenquer), mas sobretudo pelo enorme equilíbrio conseguido neste tinto de grande precisão. Não é tão verdasco quanto o Alicante Bouschet (que se mantém potente e fresco) e não é tão exuberante quanto o Touriga Nacional (mais uma óptima versão, disputando o pódio de melhor touriga da planície). Acresce que é melhor que o Syrah, talvez o tinto menos conseguido dos monocastas, por ser algo morno, apesar da sensualidade que emana a cada gole.

Em suma, se no ano passado ficámos radiosos com a qualidade do Aragonês e do Touriga Nacional, este ano é sobretudo o PV a fazer-nos a delícia, apesar de os restantes revelarem, igualmente, uma qualidade muito elevada (incluindo um simpático Verdelho de 2010).

Com os monocastas do Esporão a continuarem assim - na qualidade e no preço ajuizado - a procura por vinhos de uma só casta não vai desaparecer tão depressa…

17

quarta-feira, Junho 22, 2011

Provas

Quinta do Soque Vinhas Velhas (t) 2008

Mais uma demonstração do que as vinhas mais velhas do Douro podem proporcionar, desde que estejam no local certo, em boa saúde, e o produtor não se preocupe com a pouca produtividade.

A prova no nariz começa fechada, com aromas muito profundos a notas de fruta madura mas muito longe de serem doces. Algum grafite e notas de fumo, também. Na boca mantém o regiso fechado, duro, fresco e com taninos que se revelam em cada esquina mas sem agredir o provador. E esta é outra maravilha das vinhas mais velhas, é permitirem vinhos polidos e muito complexos ainda que também sejam poderosos e intensos ao mesmo tempo.

É um vinho que pede comida, decante, e um copo tipo-borgonha. Ou seja, é um vinho para começar a provar daqui a 5 anos e guardar uma ou duas garrafas para daqui a 15 anos vermos o que lá está. São vinhos destes que o Douro também precisa. E este pode vir a ser um clássico.

17++ 

segunda-feira, Junho 20, 2011

Provas

Brancos da Herdade do Rocim

Trata-se de dois brancos: um, o reserva, já no mercado há alguns meses, o outro, entrada de gama, a sair por estes dias. Começando por este, o Rocim (b) 2010 é um vinho simples, frutado e directo (14,5), pelo que não temos dúvidas em afirmar que é o Reserva que interessará mais ao enófilo e ao curioso.

O Olho do Mocho Reserva é um monovarietal Antão Vaz, casta branca em que muitos produtores alentejanos apostam. Apesar de registarmos a evolução positiva das mais recentes propostas produzidas a partir desta casta, julgamos ser ainda preciso abandonar a opção por estágio integral em madeira nova, e o uso de tostas agressivas em especial no carvalho americano.

Este Olho de Mocho Reserva (b) 2009 é paradigmático do que acima dissemos - é um bom vinho, com a casta a mostrar as suas virtudes (boa complexidade, boa estrutura e corpo), está fresco e com acidez muito interessante (16). Peca apenas a prova de nariz algo doce e o toque a baunilha no final de boca que preferíamos que não existissem. Melhorando esses aspectos (que são praticamente transversais à maioria dos 100% Antão Vaz), julgamos que a nova geração de brancos a partir de Antão Vaz - liderado por este Olho de Mocho Reserva - pode trazer ainda mais sucesso aos produtores alentejanos. 

quinta-feira, Junho 09, 2011

Prova especial

Warre's Vintage (p) 1963

Servido em magnum. Ligeiramente com menos garra que a média das provas do Dow's Vintage do mesmo ano, mas muitíssimo elegante. A cor mantém-se aguerrida, num tom encarnado claro, mas ainda longe das matizes de cobre. Grande expressão aromática, sem vinagrinho, doçura muito bem controlada (i.e., não excessiva) na prova de boca, e um final estonteantemente longo.

É um grande Porto em perfeito momento de consumo. Por outras palavras, é um grande vinho em qualquer lado do Mundo!

18,5

segunda-feira, Junho 06, 2011

Provas

Reserva-do (t) 2005

Mais um produto do projecto "Altas Quintas", este reserva-do diz-se ser o topo de gama em anos nos quais o perfil do vinho não é exactamente o pretendido para o outro topo de nome Obsessão. Confessamos que ficámos um pouco confusos, pois se é verdade que o vinho não consegue chegar ao nível - muito alto, diga-se - do Obsessão (t) 2004 (ver a prova aqui), também é verdade que não conseguimos detectar um perfil diferente.

E isto porque mantém o estilo fresco, seco, e vigoroso. De início fechado, abre-se aos poucos em matizes de fruta maduro mas pouco doce, notas a terra com destaque para túbaras do alentejo. Na boca continua fresco, de boa amplitude, sem peso excessivo e com um final em construção que irá melhorar certamente. Um vinho muito bom, para guardar, pelo menos, mais 10 anos.

Em suma, nomes à parte - preferimos a designação "reserva-do" a de "obsessão" - temos um vinho de grande qualidade, fresco e poderoso. 

17+ 

quinta-feira, Junho 02, 2011

Soalheiro (b) 2005 & Muros Antigos (b) 2002

São brancos que reluzem. Belos brancos, sem estágio em madeira e com vários anos em garrafa. Melhor ainda, são baratos para a qualidade que têm.

O primeiro que provámos foi o Soalheiro (b) 2005, claramente a melhor edição da última década. Guardada desde a sua aquisição no início de 2006, revelou-se com cor amarela clara ainda não muito carregada, sem nenhum tique tropical no nariz, e bastante mineral na prova de boca, ainda com capacidade de evolução. O final de boca esteve mesmo em destaque, prolongadíssimo, muito acima da nossa memória dele há 5 anos atrás (17).  Mas melhor surpresa ainda foi o Muros Antigos (b) 2002, que, apesar da cor já marcadamente amarela, se apresentou perfeito à prova. Muito mineral no nariz, ligeiro amargo na prova de boca com vegetal verde (couve/espargos), e enorme acidez. Um belíssimo verde, sério e contido, com quase uma década de garrafa (17).

Não temos dúvidas: é guardá-los!
Dois óptimos brancos em grande fase por uma bagatela de euros.

PS: na foto, riedel com Soalheiro (b) 2005 num fundo de um quadro de Maria d' Aires.