quinta-feira, Julho 31, 2008


Quinta do Soque (R) 2006

Apresentado neste evento como aperitivo. Provado por duas vezes. Pertence à classe de rosés que, felizmente (para nós), se repete com frequência no Douro (e também, mas com menos expressão, no Dão). Isto é, rosés mais fechados, tímidos, pouco conversadores mas recompensadores quando se trata de acompanhar umas sardinhas assadas, uma piza ou uma salada de pimentos.
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No copo revela cor salmão com ligeira evolução (já lá vão quase 2 anos em garrafa...), nariz silvestre com referências não muito intensas a morango maduros e um fundo que aparenta madeira queimada. Fruto vermelho discreto e pouco expressivo numa boca de pendor claramente vegetal, mesmo algo terrosa. Travo amargo no fim de boca que tende a aumentar com temperatura mais alta. Final contido que, contudo, agrada por mostrar alguma secura.

Terminamos como começámos - apreciamos este "estilo sério" nos rosés. Este Quinta do Soque estará, porventura, demasiado sério, o que poderá ser explicado por não ter sido provado no ano de colheita. Em todo o caso, é uma aposta válida, não tanto para aperitivo, mas antes para acompanhar comida e não nos referimos apenas à tradicional ligação com a gastronomia exótica/oriental.


14,5


Próximos vinhos: Quinta do Soque Reserva (T) 2005; Valle Pradinhos (R) 2007; Pinote (B) 2007; Pinote (T) 2005.

domingo, Julho 27, 2008


Brites Aguiar (T) 2006

Apresentação à imprensa realizada no restaurante Gemelli. Provado por duas vezes. Este tinto, produzido a partir de vinhas sitas nas encostas do Rio Torto e de um dos seus afluentes, a Ribeira de Galegos, combina touriga nacional, touriga franca e tinta roriz. Depois, estagiou por 18 meses em barricas Allier tosta média com 500 litros de capacidade, integralmente novas (três anos de secagem das tanoarias Cadus, Seguin Moreau e François Freres).

A cor é intensa, num registo de cereja muito escuro mas não opaco. Nariz de alta concentração, com fruta azul e preta muito madura. Carácter lácteo evidente e muito arredondado (o grau de álcool ajuda), com caramelo, doce de leite, e chocolate de leite. Com arejamento surge um lado floral que deveria estar (a nosso ver) mais presente. Na boca, altera ligeiramente o perfil internacional e situa-se num patamar mais fresco, algo mineral, mas mantém-se amplo, lácteo e muito directo, apelativo. Com taninos suaves e muito maduros é de fácil agrado este tinto! O seu volume alcoólico (15%) é escondido por alguma frescura, a barrica caminha para uma boa integração, e só o final podia dar um pouco mais (mas é certo que o ano não ajudou nesse aspecto).

Deste tinto encheram-se 6840 garrafas de 750ml e 200 garrafas magnum. Entre €25-€30, é uma escolha acertada - mas não barata - para quem gosta de um perfil directo, focado na fruta madura, internacional.

16,5


Próximos vinhos: Quinta do Soque (R) 2006; Quinta do Soque Reserva (T) 2005; Valle Pradinhos (R) 2007; Pinote (B) 2007; Pinote (T) 2005

terça-feira, Julho 22, 2008


Stanley Chardonnay (B) 2006

Vinho produzido pela Fundação Stanley Ho, liderada pelo conhecido empresário do mundo dos casinos e que era, até há pouco, o 84º homem mais rico do Planeta de acordo com a Forbes. Quanto ao vinho, tem uma cor clara e trata-se de um chardonnay pouco típico, quase "ilegítimo" se pensarmos nas principais referências francesas. Desregramento de notas tropicais no nariz num aroma muito carregado e pesado, mesmo para o padrão português da casta. Na boca, revela uma entrada que praticamente passa despercebida, mas arranca depois um travo final de mel demasiado evidente e que chega a incomodar, num conjunto que aparenta excesso de doçura. Nem a proximidade do mar - provém de uma vinha sita nas Azenhas do Mar (Sintra) - lhe confere a acidez que dele esperávamos.

Decididamente (para nós), o estilo menos interessante no chardonnay, mas, ainda assim, um esforço evidente num dos locais do País mais inóspitos e esquecidos para a produção de vinhos. Desconhece-se o preço e aconselha-se servir muito fresco. Poderá acompanhar alguns pratos de comida exótica de origem indiana, chinesa ou tailandesa.

14
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Próximos vinhos: Brites Aguiar (T) 2006; Quinta do Soque (R) 2006; Quinta do Soque Reserva (T) 2005; Valle Pradinhos (R) 2007

domingo, Julho 20, 2008


Quinta do Ameal Loureiro (B) 2006

Quase transparente quando colocado no copo (comecei por escrever "branco", mas claro que branco só o leite). A casta, normalmente muito exuberante, apenas se revela aguerrida no nariz. Na boca, está médio-cheio, quase crocante até, e há muito mais mineral do que fruta. É, enfim, um bom loureiro no sentido gastronómico! Mesmo num ano difícil para os vinhos verdes, este Ameal está leve, fresco, e mostra pouco açucar. A nosso ver, ficará muito bem a acompanhar saladas, embora muitos prefiram um vinho mais doce com esse tipo de prato.
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O preço, por volta dos €5 em várias grandes superfícies, também ajuda ao sucesso. Ideal no Verão.

15,5
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Próximos vinhos: Stanley Chardonnay (B) 2006; Brites Aguiar (T) 2006; Quinta do Soque (R) 2006; Quinta do Soque Reserva (T) 2005; Valle Pradinhos (R) 2007

sexta-feira, Julho 18, 2008


Torais (T) 2005

Provado no restaurante Luar de Janeiro (Évora), na sequência de uma salada de coelho ao vinagrete e a acompanhar umas anafadas e roliças bochechas de porco preto. No copo, muita cor (quase opaco). No nariz, muita juventude. No todo, muita extracção, em força e deveras maduro. Taninos discretos e maduríssimos, com o espectável corpo arredondado. É uma pequena bomba de fruta, quase no excesso, mas com laivos curiosos (que gostámos) de rusticidade, pronta a agradar. Se levasse pontuação - i.e., se a prova tivesse sido feita noutro local e com rigor - seria bem capaz de se situar no intervalo 16-16,5. Para quem não dispensa sensações fortes quando se trata de vinhos tintos, a menos de € 12 (PVP) tem aqui qualidade alentejana a um preço que nos parece justificado.
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quarta-feira, Julho 16, 2008

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Lançamento - Trilho (B) 2007

O bom-senso dita que num dia de sol, virados para o mar e mais a mais a acompanhar um prato de inspiração marítima, um vinho branco será um acompanhamento ideal. Foi neste cenário que provamos o Trilho (B) 2007, desde já esclarecendo que foi um dos brancos que mais nos surpreendeu nas últimas provas. A ligação gastronómica e o magnífico cenário da baía de Cascais estavam "programados" pois tratou-se de uma apresentação do vinho que decorreu no restaurante 100 Maneiras e que contou com a presença dos produtores e da equipa de enologia. Já o dia de sol, senão foi de encomenda foi então… digamos que um extra. Finalmente, o facto de estarem presentes vários blogger entre os convidados revelou a atenção cada vez maior que os produtores atribuíem a este meio de divulgação.

Pois bem, o Trilho a que nos referimos provém da melhor escolha das uvas brancas da Quinta das Bajancas, pertença de António Alfredo Lamas que, em 1993, partiu na aventura de fazer vinho. A par deste Trilho, que se situa como um topo-de-gama (pelo menos no que respeita a brancos), a Quinta das Bajancas possui ainda mais dois vinhos DOC Douro, um tinto e um branco de marca Bajancas, ambos com boa relação preço-qualidade.

Provado este Trilho uma segunda vez (agora em ambiente mais calmo), revela na cor reflexos esverdeados a comandar um conjunto palha, e logo surge o pressentimento que teremos aqui "coisa fresca". Aroma limpo, bem fresco (cá está…) e bastante intenso, primeiro com o comum ananás, mas depois com fascinantes referências vegetais (vegetais frescos e molhados) e tosta muito subtil. Entrada de boca muito fácil e equilibrada revelando, uma vez mais, significativa frescura e estilo crocante. Boa acidez, menor sensação ao álcool e ao estágio em madeira do que o nariz poderia fazer supor. Em fim, um vinho branco como gostamos: fresco mas com seriedade, fino não ultrapassando os 13,5% vol., e levemente seco.

A cerca de €15 terá concorrência feroz mas acreditamos que não fará má figura, bem pelo contrário! Em prova cega, admitimos mesmo que este Trilho (B) 2007 possa vir a surpreender e a superar concorrentes mais conhecidos e afamados da mesma região. Um branco a não deixar escapar!

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PS: Para a descrição do mesmo vinho pelo colega João Rico, veja-se aqui.
PS2: Nas fotos, o prato preparado para acompanhar o vinho (esquerda) e Pedro Sequeira da dupla 2PR (direita).
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domingo, Julho 13, 2008

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Dona Maria Reserva (T) 2003

Depois da viagem ao Douro e de algumas novidades, é tempo de voltar às provas que andavam em lista de espera. E é um regresso em cheio com este tinto de Estremoz. Júlio Bastos, produtor e, acima de tudo, winemaker (não no sentido de enólogo mas de "homem por detrás do vinho"), foi responsável (como muitos sabem) pelos famosos garrafeira da Quinta do Carmo. Depois da alienação de parte dessa quinta, e na sequência de reestruturações empresariais, Júlio Bastos tem hoje uma gama completa: começa com o Dona Maria (branco e tinto), depois o Amantis, o Dona Maria Reserva tinto e o topo de gama Júlio B. Bastos Alicante Bouschet (feito com as vinhas velhas supostamente da mesma idade daquelas que entravam nos melhores lotes dos Quinta do Carmo).

Mas vamos à primeira edição do tinto reserva. Ao início, brota um aroma incrivelmente intenso, muito moderno na abordagem à fruta, gulosa mas com marca exótica pela madeira. Depois, notas frescas e discretas amentoladas combinam com um fundo balsâmico (resina, verniz também) um pouco mais agressivo mas sem ferir a elegância - muito bom aroma, sem qualquer dúvida, todo do estilo cativante mas não enjoativo! Na boca apresenta-se cheio, muito amplo, com fruta madura (groselha preta, amoras) sem cansar, por vezes quase fresco. Final saboroso que, todavia, poderia ser um pouco mais longo (seria um fenómeno...). Na verdade, sempre que parecia estar pronto a saciar, eis que apetecia provar um pouco mais.

Em suma, um vinho que é na base extremamente sedutor e complexo. Mas é mais do que isso, tem seriedade e deverá evoluir bem em garrafa (admitimos mais 5 anos). Não é barato, entre €25 e €30, mas a qualidade apresentada é muito boa, pelo que vale a pena a compra.

17,5


Próximos vinhos: Torais (T) 2005; Quinta do Ameal Loureiro (B) 2006; Stanley Chardonnay (B) 2006

sexta-feira, Julho 11, 2008


Novidades - brancos:
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Serros da Mina (B) 2006
Encosta Longa Reserva (B) 2007

Na verdade não são ambos de 2007 mas, para nós, no fim de contas (ou seja, no fim de prova) o duriense revelou-se "uns furos acima" do alentejano.
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O primeiro - o Serros da Mina - é produzido pela Herdade das Barras na tórrida Vidigueira. No copo, a casta viognier surge muito madura e o antão vaz não ajuda ao lote que se torna, assim, algo pesado o que se pode explicar pelo ano quente (mas talvez funcione com alguns queijos de pasta mole). Já o corpo é gordo e revela muita untuosidade (as castas ajudam nesse ponto), mas a fruta tropical anda longe de ser fresca ou sequer original. Em suma, é um vinho bem feito mas exige combinação gastronómica certeira e deverá ser consumido preferencialmente no Inverno.
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Ao invés, o branco duriense da sub-região Cima Corgo, está muito elegante com a madeira bem integrada a pedir, no entanto, mais dois ou três meses de garrafa. A fruta é citrina, e o vinho manifesta um fundo mineral muito atraente (ver aqui a descrição completa do Pingas). Final de boca limpo, directo e saboroso; é um vinho que não cansa apesar da acidez não ser o seu maior atributo. Concluindo, trata-se de mais um belo vinho, muito versátil (para o Verão e Inverno) deste produtor localizado em S. João da Pesqueira.
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Sendo claramente estilos muito diferentes, mas com preços que rondam os €10 a €15, o troféu coube ao Encosta Longa, e não há dúvida que os brancos do Douro estão cada vez um caso mais sério. O facto do Serros da Mina ser de 2006 poderá ter prejudicado mas apenas no nível de frescura.


terça-feira, Julho 08, 2008

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Quinta de Roriz

"Quem ri por último, si melhor", assim deve ter pensado João Van Zeller - feliz comproprietário e actual responsável máximo pela Quinta de Roriz - ao conceber a recepção neste que seria a nossa última visita. Após vários dias numa viagem fantástica no Douro, o melhor estava, de facto, para vir.

Uns foram de barco, outros (como nós) preferiram quase trinta minutos de puro todo-o-terreno. À chegada, tiros de morteiro! De seguida, prova vertical! Pouco depois, patuscada ao som de acordeões! Por fim, almoço em plenos lagares! Mas isto é pouco perante a beleza do cenário de uma propriedade com quase dois quilómetros de margem de rio e um micro clima cheio de sol em parte devido a uma encosta em anfiteatro que a rodeia. Sem dúvida, a par de uma outra no Douro Superior (adivinham?), uma das mais belas quintas que conhecemos.

A título de novidade, ficámos a conhecer um pouco mais as razões que levaram à recente mudança na enologia que passou este ano da Syminthon para a dupla Cristiano Van Zeller e Sandra Tavares da Silva, sendo certo que só provaremos os resultados desta nova união lá mais para frente, talvez para o ano. Quanto à distribuição, esta está um pouco complicada mas deve também melhorar em breve e o consumidor agradece.

Quanto à prova propriamente dita, num belíssimo armazém recuperado, foi muito conseguida com o Quinta de Roriz Reserva (T) 2004 a revelar-se talvez o melhor tinto desta casa, pleno de elegância - e a um belo preço diga-se, para o que foi considerado o segundo melhor vinho ibérico do Douro - e um surpreendente Quinta de Roriz vintage (P) 2002 com garra, ligeiro vegetal, e um final picante.

Pois bem, se o Reserva 2004 é um tinto a não perder, Roriz é uma quinta a não esquecer. O melhor fecho possível numa viagem que provou ser, no dia-a-dia, ainda mais fantástica do que no papel quando em projecto. Para o ano haverá mais!
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Nas fotos, a vertical realizada e o lindíssimo cenário que envolve a Quinta de Roriz.
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domingo, Julho 06, 2008


Novidade: D + D (T) 2005

Chama-se D+D, significando "Drink & Dreams", e, ao que parece, resulta de uma parceria entre o Grupo Sogevinus, as Bodegas Emílio Moro e accionistas particulares como o futebolista Luís Figo. É um vinho produzido a partir de uvas nacionais, da região do Douro, e trabalhado por dois enólogos: Francisco Gonçalves (Sogevinus) e José Carlos Alvaréz (Bodegas Emílio Moro).

Diz-se feito a partir de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, mas é a primeira das castas que mais se revela por ora. Diz-se um super-premium, mas disso não temos a certeza. Mais certo estamos da imediata sensação a fruta fina tipicamente duriense, mais a mais englobada num invólucro balsâmico e especiado (aparenta bom trabalho na madeira) e curiosas referências a côco ralado. Na boca, a fruta é mais madura do que no nariz (mas sem excesso) e cabe dentro de um corpo muito redondinho e de final pouco assertivo, embora elegante. Tudo muito ajustado, os taninos mui suaves, enfim um conjunto "com peso e medida" que arriscamos apelidar-lhe de cariz feminino. Até o teor alcoólico, que não passa dos 14%, está politicamente correcto, mas a "força" que dizem ter não a notamos.

Diz-se finalmente que tem um preço à volta dos €45 e uma produção de 25.000 garrafas. Pois bem, se é certo que se trata de um vinho fora do comum devido à promoção ao seu redor e ao seu carácter limitado, a verdade é que situa-se numa gama difícil e onde a concorrência parece, a nosso ver, levar a melhor.


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