
Não deu tempo para refrear os ânimos dos Portos provados (ver post infra) e outra experiência magnânima passou-nos pelo estreito. Começámos por pedir uma perdiz de escabeche, mas fomos a tempo de alterar por um anunciado “foie-gras”. Mas, no campo da comida, foi sorte nula, pois o “foie-gras” não passava de patê rasca com uma cobertura agridoce. Para emendar a mão, veio a massa com requeijão – um clássico dessa casa ao cimo da Praça da Alegria.
Mas foi a beber que as lágrimas correram pela face... A sugestão era um “Quinta dos Carvalhais Encruzado 2003”, e tudo virou sublime de súbito ... o próprio patê, antes uma mixórdia, parecia agora um pitéu digno dos deuses.
É preciso dizer que estava uma noite abafada, e – estranhamente – não me apetecia a fruta tropical de um Alvarinho. Ao invés, o calor da noite chamava um líquido mineral e com muita personalidade. E foi o que encontrámos com o Encruzado, casta branca predilecta do Dão. Outros “Encruzados” havíamos já provado e saudado – o da “Quinta do Cabriz 2002”, por exemplo – mas este da “Quinta dos Carvalhais” bateu a concorrência. Gritámos tratar-se de um dos melhores brancos de 2003! E ninguém protestou.
Grande cor, grande corpo, alma limpa e alguma fruta citrina, um final prolongado e insistente, muito mineral e um toque a madeira que conferiu um equilíbrio perfeito e uma elegância pungente como poucos brancos têm.
A € 15 nas garrafeiras, está entre os melhores brancos portugueses de 2003 (e de 2004) que até hoje provei.
Mas foi a beber que as lágrimas correram pela face... A sugestão era um “Quinta dos Carvalhais Encruzado 2003”, e tudo virou sublime de súbito ... o próprio patê, antes uma mixórdia, parecia agora um pitéu digno dos deuses.
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